sexta-feira, 1 de maio de 2015

eu e tu

Às vezes, o tempo é contado ao segundo.


Acordamos e saímos da cama, não nos tocamos exceto nas ombreiras das portas, entre uma divisão e outra, cada um entregue aos seus afazeres matinais. Depois, saímos de casa, encostamos os lábios e dizemos adeus, faço-te uma festa na cara e tu no meu cabelo.


Às vezes, só há tempo e espaço para uma breve conversa por telemóvel, uma troca breve de "tudo bem? sim e tu?"


Às vezes, não te vejo à luz dia.


Mas, à noite, quando chego à cama, ainda que estejas mais a dormir do que acordado, o teu braço quente procura-me e puxa-me para ti. Encostas a tua cara ao meu pescoço e sinto o teu cheiro. Ficamos assim e sei que apesar do tempo contado não permitir mais, o tempo somos nós que o fazemos.

7 comentários:

  1. Não deixem que o tempo "mate" a relação..
    Têm por obrigação haver sempre tempo para nós!!

    ResponderEliminar
  2. Por causa do título, velhadas como ando, fui direitinho a um livro dum sábio judeu que tem estado na mesa dos livros que leio devagar:
    "Dupla é a atitude do homem, de acordo com as duas palavras fundamentais que ele é capaz de formular.
    As palavras fundamentais não são palavras isoladas, são pares de palavras.
    Uma dessas palavras é o par Eu-Tu.
    (...)
    As palavras fundamentais são ditas com o próprio ser"
    ("Eu e Tu"; Martin Bubar)

    Bom dia.

    ResponderEliminar
  3. Só funcionamos em dicotomia, não é?

    ResponderEliminar
  4. Sim, mas "dicotomia" de sentidos novos:
    "quem diz 'Tu' não tem nenhuma coisa por objecto. Porque onde uma coisa existe, outra existe também (...)"
    Mas que conversa de fim de dia...
    Boa noite.

    ResponderEliminar
  5. Sinto falta desses afetos de que falas...

    ResponderEliminar

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...