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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ditadura

Às vezes, olho para as minhas mãos, para as minhas unhas, na rua, no café, em casa e lembro-me das unhas que vejo nas mãos da mãe da A. nas mãos da R., nas da S.


As minhas mãos não são mãos de senhorinha, as minhas unhas mantenho-as curtas e desenvernizadas. Mas, às vezes, sinto-me mal, porque me sinto a única mulher que não faz a manicure.


 


Outras vezes, são as caras das mulheres todas à minha volta, as sobrancelhas arranjadas, as bases e as sombras e os eyeliners e sinto-me mal, eu com a minha cara de eterna adolescente com rugas e cabelos brancos.


 


E sinto que há uma ditadura. Que as faz usar tudo o que usam e que me faz sentir mal a mim por ser uma ovelha ronhosa.

9 comentários:

  1. Não, não és a única! :D e não te vergas a essa ditadura!!!
    Vivam as rugas e os cabelos brancos e as unhas ao natural!!!
    E pensa em TODA a guita que poupas!

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  2. Ora vamos lá por partes... Há sempre uma ditadura, chamada sociedade e/ou tempos modernos, que nos vai ditando o que vestir, o que usar, como, etc., mas podes obedecer cegamente ou ir com a corrente. Podes usar aquilo que gostas e como te sentes bem sem ser escrava da ditadura... Eu uso o que uso porque me faz sentir bem, porque sinto-me melhor, cuidada e mais confiante, não porque a moda ditou. Por outro lado, mesmo que inconscientemente, nós fazemos parte da sociedade e somos "contagiados".

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  3. Pois eu pinto as unhas, o cabelo ainda não, ponho máscara (aprendi isto contigo) e um pouco de "blush" (isto eu já sabia) todos os dias e gosto de moda em geral. Gosto de me cuidar. Gosto do que é bonito, em geral. Não só na moda, mas na arquitectura, na literatura, na pintura, na música. E não obedeço a nenhuma ditadura. Sou fiel a mim própria. E senti/sinto por várias vezes, aqui e aí, olhares de reprovação, ouvi/ouço comentários a voz baixa por ir trabalhar arranjada, de unhas pintadas, como se por isso fosse menos inteligente ou menos profissional que as outras. Porque alguns intelectuais obedecem à ditadura que diz que a moda, o cuidar-se rima com ignorância, com tontice. E quase cedo a negligenciar-me para ser igual às minhas tão intelectuais companheiras de trabalho intelectual. Mas eu sou assim. O belo importa na minha vida. Em todos os aspectos. E sim, sou uma intelectual de esquerda. E não sou estúpida, nem ignorante. E tu não és uma ovelha ranhosa. És tu. E elas são elas.

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  4. Sabes, depois de escrever o post vim para a cozinha fazer o almoço e estragar mais um bocadinho as minhas mãos e pensei em ti, Lis, em como tu és, para mim, desde os primeiros dias, sinónimo de alguém bonito, que se cuida, e, ao mesmo tempo, das mulheres mais inteligentes e cultas que conheço, um mix perfeito daquilo que é visto como futilidade e inteligência, a prova de que os dois podem coexistir. :)

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  5. O meu maior medo é, mais do que dos químicos das cenas que se põem na cara para ficarmos bonitas, o medo de não me conseguir ver de cara "limpa", porque de facto eles fazem diferença. É mais essa ditadura a que me refiro, a que o próprios produtos nos sujeitam. Vou alternando a cara lavada com a cara produzida, tentando evitar a habituação. Quero continuar a sentir-me bonita sem ter de usar "pinturas".

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  6. Podíamos aplicar isso ao peso, à publicidade, à comida... A tudo.:)

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  7. Não quero trocar galhardetes, mas a verdade é que se impõe. E a prova de que a amizade é dos sentimentos mais bonitos do mundo é esta: nenhuma diferença nos separa. E metes um bocado de nojo com esse físico atlético, esses cabelos loiros fortíssimos e essa cabeça tão genial.

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  8. Olha eu aqui toda inchada, com o meu galhardete na mão... :D

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  9. Não me parece que tenha que haver uma ligação (oposta/inconciliável/incompatível) entre "intelectualidade/inteligência" e "moda"...
    Não acho que os intelectuais tenham que ser pessoas que não se "cuidam" ou não se arranjam, como se isso fosse contra algum dos seus "princípios"... Há os que se cuidam e os que não ligam a esse tipo de "cuidados", sejam intelectuais (ou não tão intelectuais como isso) de esquerda ou de direita...

    O que acho é que tens e deves fazer o que TU precisas para te sentires bem contigo mesma - seja a arranjares as unhas, pintar o cabelo, etc, seja a NÃO o fazeres - e não te sentires mal porque não o fazes. E que o faças (ou não) porque TU queres e não porque isso foi ditado por alguém ou alguma coisa de fora...

    O belo está nos olhos de quem o vê...

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ela foi a Londres, eu fui à dermatologista

 É claro que adorou Londres, principalmente o museu de história natural. Gastou uma pipa de massa no hard rock, andou kms e kms, socializou ...