São umas matracas, as minhas filhas, quando as vou buscar ao atl, às sextas-feiras.
Estou cansada de uma tarde a repetir mil vezes as mesmas coisas a miúdos agitados, cheios de açucar, cansados de estar metidos numa sala.
E elas não se calam, tantas são as novidades, tantas as coisas que querem contar, atropelam-se uma à outra, zangam-se e eu só quero um bocadinho de silêncio, um comando que tenha o botão de pausa para eu acionar.
Depois, chegam a casa e metem-se no quarto, a brincar uma com a outra. Dão-me a pausa que secretamente pedi, enquanto debitavam palavras à velocidade da luz, no carro em andamento.
E fico aqui, sentada, a achar estranho. Criaturas estranhas que somos todos.
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