Com cinco seis anos eu ia à mercearia uns metros abaixo de casa, murmurando a lista de compras, invariavelmente pequenina:
"seis papo secos, seis papo secos, seis papo secos...."
Brincávamos, em magotes, ou sozinhos, ao longo da vila. Com frequência, eu descia até lá abaixo, pertinho do campo de futebol e ia brincar com a margarida maria alacoque, que é a santa que deus nos envia para dar o sinal dar o toque, margarida maria alacoque. A margarida, ou guida para os amigos e família, odiava esta lengalenga que o meu pai fazia questão de dizer de todas as vezes que a via, mas tal não a impedia de brincar comigo. Às tantas de noite, quando achava que seria hora de jantar, porque também em casa da guida se punha a mesa, lá voltava eu para casa.
Brincava com o meno, no bairro, perto da casa do carrola, brincava na encosta do castelo, muitas vezes sozinha.
Ia para escola e voltava, sempre sozinha ou com o bruno, o meu amigo inseparável, que no fim da primeira classe se mudou porque o pai era bancário e foi ser gerente noutro sítio.
Ia à catequese sozinha e voltava sozinha.
Em baltar assim continuou. Íamos e vinhamos, sozinhos, das brincadeiras, das tarefas diárias...
Hoje, não deixo as minhas flhas irem a lado nenhum.
Mas a coisa vai mudar. Já é tempo! De pequenino se torce o pepino.
Isso preocupa-me. Não sei se os tempos hoje são mais "perigosos" ou se é uma falácia de tanta (des)informação que nos entra pelos olhos dentro.
ResponderEliminarHá mais alguns perigos, mas penso que estamos demasiado protectores.
ResponderEliminarEu cresci como tu e foi tão bom!
Também não sei...
ResponderEliminarHá mais perigos ou nós agora, porque estamos sempre a receber notícias de tudo, tememos tudo?
ResponderEliminarAinda no outro dia estive a falar sobre isso. Não deixo os meus ir a lado nenhum sózinhos, nem o mais velho que tem 17 anos. Eu com 16 anos ia sozinha a Lisboa e andava de metro!!!
ResponderEliminarO de 17 tb não?
ResponderEliminarnão
ResponderEliminaracho que vou ter de perder esse medo...