quarta-feira, 17 de outubro de 2018

ontem, hoje e amanhã (hei)

Com cinco seis anos eu ia à mercearia uns metros abaixo de casa, murmurando a lista de compras, invariavelmente pequenina:


"seis papo secos, seis papo secos, seis papo secos...."


Brincávamos, em magotes, ou sozinhos, ao longo da vila. Com frequência, eu descia até lá abaixo, pertinho do campo de futebol e ia brincar com a margarida maria alacoque, que é a santa que deus nos envia para dar o sinal dar o toque, margarida maria alacoque. A margarida, ou guida para os amigos e família, odiava esta lengalenga que o meu pai fazia questão de dizer de todas as vezes que a via, mas tal não a impedia de brincar comigo. Às tantas de noite, quando achava que seria hora de jantar, porque também em casa da guida se punha a mesa, lá voltava eu para casa.


Brincava com o meno, no bairro, perto da casa do carrola, brincava na encosta do castelo, muitas vezes sozinha.


Ia para escola e voltava, sempre sozinha ou com o bruno, o meu amigo inseparável, que no fim da primeira classe se mudou porque o pai era bancário e foi ser gerente noutro sítio.


Ia à catequese sozinha e voltava sozinha.


Em baltar assim continuou. Íamos e vinhamos, sozinhos, das brincadeiras, das tarefas diárias...


Hoje, não deixo as minhas flhas irem a lado nenhum.


Mas a coisa vai mudar. Já é tempo! De pequenino se torce o pepino. 

7 comentários:

  1. Isso preocupa-me. Não sei se os tempos hoje são mais "perigosos" ou se é uma falácia de tanta (des)informação que nos entra pelos olhos dentro.

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  2. Há mais alguns perigos, mas penso que estamos demasiado protectores.
    Eu cresci como tu e foi tão bom!

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  3. Há mais perigos ou nós agora, porque estamos sempre a receber notícias de tudo, tememos tudo?

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  4. Ainda no outro dia estive a falar sobre isso. Não deixo os meus ir a lado nenhum sózinhos, nem o mais velho que tem 17 anos. Eu com 16 anos ia sozinha a Lisboa e andava de metro!!!

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  5. não

    acho que vou ter de perder esse medo...

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