segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Sistema integrado

Sentava-me, à frente porque sou baixinha (era assim que me chamavam, a baixinha, exceto naquela semana em que decidiram chamar-me cabidela porque rimava com gabriela) e bastava-me estar atenta à aula, ao que os professores diziam, escrever os apontamentos no caderno e pronto, chegava ao teste e sabia as respostas. 


Hoje, eles sentam-se, tomam notas e apontamentos, mas a atenção da maior parte está em parte incerta. E, mesmo que esteja lá, na sala de aula com o professor, chegam a casa e ainda têm de dar às canetas e estudar para conseguirem acompanhar a quantidade incrível de merda que têm de saber, de colar com cuspo para darem respostas nos testes dos quais se vão esquecer assim que sairem da sala.


E têm de o fazer depois de estarem na escola desde as 8.30 da manhã às 17h. A miudagem aqui da Batalha com sorte tem apenas uma tarde livre.


Eu bem gostaria que a minha miúda estudasse mais, ela precisa de estudar mais, mas que pôrra! o dia não tem mais de 24 horas!


Saindo ela sai às 16.30 todos os dias, exceto à quarta, tem meia horita para lanchar, espairecer e já está agarrada outra vez aos livros, para fazer trabalhos de casa. Que moral tenho eu para a obrigar a estudar para além disto? Se ela já teve uma jornada de oito (oito horas, car"#$"#!) na escola?


Há dias em que fico tão revoltada com esta merda de sistema que nem vos conto. E o pior? É que eu sinto-me mal por não a obrigar a estudar! Porque depois vêm as notas medíocres ou as que estão abaixo das suas capacidades! Mas a culpa não é só dela. 


E andam aí esses intelectuais de merda, políticos de gabinete que nunca puseram os pés numa sala de aula a vomitarem documentos com "aprendizagens essenciais" que na realidade não são nada, que nada produzem a não ser papel que nós imprimimos para ter nos dossiês, para a inspeção escolar ver.


Aprendizagens essenciais era saber ler, escrever e fazer contas de somar e subtrair, multiplicar e dividir, coisa que metade não sabe fazer e vai sair da escola sem saber. E vai continuar a estudar e a tirar cursos e depois vai trabalhar! pôrra!


 


 

1 comentário:

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...