quarta-feira, 13 de março de 2019

mais um que diz nada de jeito

Lá estamos nós: eu e o silêncio quebrado pela carripana que sobe a estrada ou pelo zumbido da mosca.


Está sol, mas um ventinho frio e cortante como uma faquinha de tirar caroços às azeitonas.


O café foi tomado com as meninas Rita e Júlia, ao som dos guinchinhos da segunda, depois de deixar duas filhas na escola, uma que partiu para uma visita de estudo e outra que rumou à sala do costume.


Estica-se a vontade de fazer zero até ser impossível, porque os deveres chamam. 

2 comentários:

  1. Por vezes dá vontade de esticar no sofá e esquecer os afazeres!

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  2. Olha o que me fizeste lembrar:

    Horas lisas de luz baça, imperturbável. Passaram os ruídos do costume:
    as latas na carrinha do trolha, o camião do lixo, o padeiro. Mal
    abanaram o ar calado, salto de rã na água quieta.
    O sol demora e o dia já não vai pequeno. Esta coisa luz cinzenta
    morna cola-se dentro da gente.
    É preciso escolher os gestos, que as palavras também podem ser mudas.
    Para que a tarde não doa, não se apague o riso, os olhos, as mãos e
    os passeios no regresso dos rebanhos prenhe de manhãs.

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