Lá estamos nós: eu e o silêncio quebrado pela carripana que sobe a estrada ou pelo zumbido da mosca.
Está sol, mas um ventinho frio e cortante como uma faquinha de tirar caroços às azeitonas.
O café foi tomado com as meninas Rita e Júlia, ao som dos guinchinhos da segunda, depois de deixar duas filhas na escola, uma que partiu para uma visita de estudo e outra que rumou à sala do costume.
Estica-se a vontade de fazer zero até ser impossível, porque os deveres chamam.
Por vezes dá vontade de esticar no sofá e esquecer os afazeres!
ResponderEliminarOlha o que me fizeste lembrar:
ResponderEliminarHoras lisas de luz baça, imperturbável. Passaram os ruídos do costume:
as latas na carrinha do trolha, o camião do lixo, o padeiro. Mal
abanaram o ar calado, salto de rã na água quieta.
O sol demora e o dia já não vai pequeno. Esta coisa luz cinzenta
morna cola-se dentro da gente.
É preciso escolher os gestos, que as palavras também podem ser mudas.
Para que a tarde não doa, não se apague o riso, os olhos, as mãos e
os passeios no regresso dos rebanhos prenhe de manhãs.