porque, incrivelmente, me lembro de ti todos os dias
porque foste o P. anos antes de seres o tio P.
porque me faz confusão não estares lá, na casa de belmonte
porque o que escreveste merece ver outra vez a luz (se calhar ias ficar zangado, mas olha... eu vou passar para aqui o primeiro texto que escreveste no teu blog, nos idos de 2007)
Nascer aqui: No Sobral. Era Abril. E aqui tudo era difícil. Até a noite era escura, muito escura, sem lua. E um homem caminha pela rua, vai com pressa. Bate três vezes à porta do Sr. Chico. E responde: “é por causa duma injecção”. “Ah! Já sei”. E lá foram ambos a caminho do futuro. E houve… madrugada. Protestei. E senti o sabor amigo do leite. Corri. Pelos montes, subi, desci, veredas e caminhos. Com o professor José Pereira percorri, a tremer, o alfabeto. O verbo, a escrita. Fui aos pássaros e aos ninhos, aos peixes tomei-lhes o gosto. De pastor andei com quatro companheiras de montes e vales: A Mialva, a Motcha, a Ferreira, a Negra. Das cabras, a Mialva era de longe a mais inteligente. Sabia das couves, das videiras, do zaburro: Foi premiada com um chocalho. Para se perder, sem me perder. Ah! Depois, cresci (ainda cresço). E depois, ainda, o travo amargo da aguardente…
Hoje. Verão. Ando por aqui, até calhar!
Nascer aqui: Subo pela primeira vez ao éter. Com este espaço, neste espaço, subo. Atrevo-me a ir para além de Fernão Capelo Gaivota…
Hoje. Verão. Andarei por aqui, até calhar!
http://nasciaqui-sobraldesaomiguel.blogspot.com/2007/06/nasci-aqui_7842.html
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