quarta-feira, 6 de novembro de 2019

disponibilidades

Dou por mim com os dias cheios, entre gerir casa que vive em permanente caos e gerir trabalho. Não sei se vou fazer aqueles "quadros de bom comportamento" que prometi aos miúdos, se acabo de fazer as grelhas excel, se confirmo as aprendizagens essenciais ou se termino esta ficha para aqueles dois alunos com necessidades especiais Ai! agora não posso dizer nem escrever isto, é miúdos que estão no artigo cinquenta e qualquer coisa, eu tenho-o aqui todo sublinhado, mas não há maneira de lhe fixar o número...


não sei se faça uma dessas coisas, está visto que tudo ao mesmo tempo não consigo, se vá apanhar aquela roupa e estender a que está na fila de espera do estendal, mas espera! cheira-me a xixi de gato, tenho de ir limpar a caixa da gata...


se calhar vou ali gerir aquela birra, tanta birra e pequenas obsessões,


filha, a mãe não consegue estar o tempo todo a explicar-te porque não posso ir à boxe procurar o anúncio daquele brinquedo, agora não, tu já viste a montanha de coisas que tenho de fazer? e vamos chegar atrasadas!


Mas.... espera... que falta de disponibilidade mental é esta para o que mais interessa nestas nossas vidas se escolhemos pôr filhos no mundo? esta falta de disponibilidade para educarmos os nossos filhos? de onde veio esta inversão nas prioridades? Gabriela? é mais importante chegar a tempo à escola ou fazer ver qualquer coisa importante aos teus filhos? é mais importante aquele papel ou veres com calma e atenção a ficha que a miúda te mostra, toda orgulhosa do resultado?


É mais importante arrumar a cozinha ou ir acalmar aquela filha que agora percebeu que se enganou em algo que para ela é importante? 


A falta de disponibilidade mental para aquilo que realmente importa.... isso é que precisas de gerir... esquece lá a roupa, mas depois andamos nús....


esquece lá os testes que é preciso corrigir, mas depois como faço a avaliação...


que caraças de vida.


Acabar o trabalho a horas de ainda ser capaz de estar com a família. Isso é que era! 

1 comentário:

  1. Vi uma frase esta semana que resume bem, a nossa condição e mães e mulheres. Era qualquer coisa como: "Querem funcionárias exemplares como se não houvesse mais nada sem ser o trabalho, querem crianças educadas, como se não tivéssemos mais tarefas, que não a educação dos filhos, querem amantes dedicadas como se não fossemos funcionárias, nem mães..."

    ResponderEliminar

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...