domingo, 8 de novembro de 2020

update

Cá estamos, naquela correria típica dos dias que passam e não deixam marcas exceto as rugas no corpo e os cabelos brancos.


Ainda nenhum de nós apanhou covid, mas faz dois meses que morreu o sogro.


O período está a mais de meio e as miúdas já terminaram a primeira ronda de testes.


Neste momento, ambas são frequentadoras mais ou menos assíduas de clínicas de psicologia (achávamos nós que estávamos a fazer um trabalho minimamente decente e vai-se a ver são crianças marafadas).


A mr é proprietária, muito contra nossa vontade, de um telemóvel (ou mantinha-se a nerd da turma, excluída da vida social que agora se faz quase exclusivamente online), a gr. herdou o dumbphone da irmã e já nos pode telefonar se precisar de alguma coisa.


O pai cá de casa está em vias de perda substancial de peso e está mais bonito.


O paterfamilias vai fazer anos, mas não podemos ir vê-lo porque estamos confinados. 


Não pude ir ver o Ivo Canelas porque estamos confinados.


E confinados para tudo e ao mesmo tempo para nada vamos ficar. 


 

2 comentários:

  1. A tua última frase diz tudo.
    Eu iria ver os meus pais daqui a duas semanas, para algo muito relevante... agora? Grilos.

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  2. Mas vimo-nos. E não foi ao faz de conta: estávamos bem nos olhos uns dos outros. Beijinhos.

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