terça-feira, 19 de janeiro de 2021

floating piece of shit

A verdade é que, desde o início do ano letivo, sinto um peso muito grande por ir trabalhar. 


Ontem, assim que cheguei à segunda escola onde dou aulas, as colegas dizem-me que uma turma tinha sido mandada para casa pela direção porque um aluno tinha testado positivo e que estavam a a guardar comunicação da DGS, mais precisamente do delegado de saúde.


Fiquei logo mal disposta e preocupada. Tinha estado com a turma na semana passada e, se não fossem as colegas, não saberia de nada.


Durante a tarde, o coordenador de escola foi à sala de aulas da turma comunicar-me oficialmente que a turma e respetiva professora titular iam ficar em isolamento profilático até dia 1 de fevereiro. E eu? eu, que estive com a turma? eu?


"Tu não és nada, tu és carne para canhão, tenho pena de ti... liga para a direção e informa-os de que também deste aulas à turma."


Escusado será dizer que me senti uma pedaço de merda, mais ainda quando, depois de ligar para a direção, lavarem as mãos e me dizerem para ser eu a contactar a saúde 24.


Vontade de trabalhar? zero! Vontade de mandar tudo à merda? ui... 


Mantenham-se as escolas abertas, excluam-se das comunicações aos serviços competentes elos de contágio e vamos ver se as medidas destas semanas fazem algum efeito. O caraças é que fazem. 


 


 

8 comentários:

  1. Não acredito em escolas abertas muito mais tempo.

    ResponderEliminar
  2. Em algumas escolas, alunos testam positivo e a turma continua a ir às aulas...
    Que tudo corra pelo melhor!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Também não, a não ser que o governo mantenha as palas nos olhos. Mais umas duas semanas.

    ResponderEliminar
  4. Sim. Depende dos delegados de saúde. Cada cabeça, sua sentença.

    ResponderEliminar
  5. Estou contigo! Lamento a forma como os professores estão a ser considerados neste processo. Lamento que te sintas assim. Lamento tudo o que se está a passar e, para mim, teria sido preferível meter travões a fundo, fechar tudo em casa durante 15 dias e ver os números a descer. Estamos a dar facadas lentas e dolorosas na economia e vamos chegar ao mesmo sítio de onde já poderíamos estar a sair daqui a uns dias. Sei que a preocupação é hipotecarmos a aprendizagem dos alunos, mas a verdade é que estamos a hipotecar a saúde física e mental de professores, funcionários, alunos, também. Os custos ainda não compensam os ganhos? Acho que não tarda muito, vão ter de compensar.

    ResponderEliminar
  6. Que bom ler o teu comentário, Fatia. É reconfortante sentir a empatia.

    ResponderEliminar

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...