domingo, 14 de março de 2021

Pintovski

Sonho muitas vezes contigo.


Entraste lá em casa como o Pinto. Para mim, criança com cinco anitos, era um nome estranho. Eras o pintovski, aquele do bigode enroladinho. Aparecias ao serão, bebias um copo com outros que também andavam por lá, como o Baptista e sei que havia mais, mas não me lembro dos nomes.


Passaste a fazer parte das festas de anos, daquelas à moda antiga, sem temas e sem decoração. Só com pessoas, comida e muita conversa para os adultos e brincadeira para as crianças. Lembro-me de uma passagem de ano que foi a loucura. Às tantas da madrugada fomos todos levar-te a casa pela vila acima. Querias porque querias meter-te no teu carro azul, cheio de pinta, acho que era um Datsun, mas não tenho a certeza, querias por tudo ir de carro. Mas os adultos estavam todos bem bebidos, não que eu tivesse consciência disso, e obrigaram-te a ir a pé. Fomos todos.


Depois, tu, que ias ficar para tio, conheceste a minha tia, aquela que também ia ficar para tia, a minha tia preferida, e passaste a tio Pinto. Foi muito fácil essa passagem. 


Sonho contigo muitas vezes. Com boina preta, com bigode, sem bigode e de chapéu de palha.


Não sabia que me ia custar tanto pensar que já não existes. 

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