terça-feira, 6 de abril de 2021

deles, os filhos

Chega aquela fase em que eles, os filhos, se evadem pelos buracos que encontram.


Gradual e lentamente numa questões, demasiado rápido noutras, deixamos de acompanhar o que sentem, com quem falam ou nalguns casos, não falam, deixamos de ter  as poucas certezas que tínhamos.


Ficamos naquele limbo de não saber se estamos a dar-lhes espaço ou se os estamos a abandonar aos seus pensamentos e dores, que eles agora nos escondem, com medo de não serem compreendidos.


Mal eles sabem que não precisamos de fazer muito esforço para voltar aos tempos em que tudo era negro e ausente de esperança num minuto e prenhe de felicidade no seguinte.


Mas eles sabem que podem confiar em nós, que vamos ouvi-los e compreendê-los, ainda que incapazes, por vezes, de lhes dar as palavras de que precisam. 

Sem comentários:

Enviar um comentário

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...