terça-feira, 11 de maio de 2021

inversões

A disciplina na sala de aula ou a falta dela é um tema constante entre nós, professores. Vinha a pensar nisso (aliás, penso muito nisso) no outro dia numa das minhas viagens entre escolas. Vinha a pensar que, em certas turmas, tenho muitos problemas de disciplina e, claro, na minha cabeça o problema sou eu, que não sei impô-la ou não sei dar aulas de forma a que não seja necessário impô-la. Tive uma orientadora de estágio, da faculdade, que me deixou com a seguinte ideia (que me traumatizou, mas que na minha opinião é uma ideia errada): se o professor for bom, não há lugar à indisciplina, porque o bom professor cria e planifica aulas motivadoras, onde não há espaço para indisciplina. Durante anos esta ideia deu cabo de mim como professora e ainda dá. Todos os dias tenho de me olhar ao espelho e fazer o exercício mental de a desfazer para conseguir ir trabalhar, mas todos os dias me penitencio por não trabalhar mais.


Vinha a remoer esse pensamento, o de que tenho de trabalhar mais, mas depois inverti a coisa: eu não trabalho mais porque quando acaba o meu trabalho na escola eu venho trabalhar na minha casa - dar atenção às filhas e ao marido e à casa em si, o espaço onde moramos. E pensei que se todos nós fizessemos isso (dar mais atenção às nossas pessoas), depois, nas salas de aula, o professor não teria de passar tanto tempo a lidar com indisciplina, porque o básico já tinha sido passado em casa. 


Portanto, está tudo invertido. Investimos nos locais errados e nas pessoas erradas, queremos fazer (olhó cliché) casas a começar pelos telhados, sem pensar nos alicerces. 


 


 

10 comentários:

  1. Concordo. No entanto há tantos "ses"...
    Estamos numa sociedade complicada, em que só há direitos e esquecem-se as obrigações...
    Já tenho saudades dos anos 80 em que tudo era bem mais educado.
    Força nessa luta diária.

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  2. Andamos todos trocados...
    M.

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  3. E "não trabalhas mais" porque a indisciplina te retira energia e capacidade de quebrar o círculo.
    Um abracinho,

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  4. Não era mais bem educados (havia colegas, mais velhos, que para provocar professores se masturbavam nas aulas ou queimavam testes e coisas muito maradas), mas a postura dos pais era outra, havia avós, uma rede familiar que hoje quase não existe, não havia redes sociais e tomarem conta dos nossos filhos....
    Vivemos uma época tramada na questão da educação parental.

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  5. Isso mesmo, Miúda. Quando chego a casa quero "sopas e descanso".

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  6. Bem, uma coisa tens razão. Havia uma rede familiar mais preocupada.
    Isto não está fácil... Os professores (e outros profissionais) perderam importância. Estamos a perder valores muito rapidamente.
    Mas todos temos uma parte de responsabilidade.

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  7. Este post é de utilidade pública. Corremos tanto é preocupamo-nos tanto em mudar o mundo que nos esquecemos daquilo que está mesmo ao nosso alcance. Um grande beijinho e obrigado pela coragem de escrever este post ❤️

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  8. Basta um aluno para desestabilizar uma aula.
    E os pais, em casa, deviam fazer o que escreveu: se todos nós fizéssemos isso, (dar mais atenção às nossas pessoas) , depois o professor não teria de ....:

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