Aqui há uns tempos, na antena 3, falava um senhor que tinha escrito um livro sobre a necessidade de desligarmos. Não sei quem era nem como se chama o livro, sei que introduziu no meu léxico a ideia do "terceiro lugar". O terceiro lugar corresponde à existência de um espaço e de um tempo fora da casa e do trabalho. Sociologicamente falando, será um local dentro da cidade ou do local onde vivemos onde podemos ser, estar, sem sentir obrigação de ser outra coisa (pai, mãe, médico, professor, seja lá o que for que somos em casa e no trabalho, no cumprimento das nossas obrigações diárias.).
Na altura, fiquei triste. Pensei "eu não tenho um terceiro lugar. Depois das aulas vou para casa e assumo os outros papéis todos. O Marco pega na guitarra, vai para a garagem e compõe cenas, aquela malta vai matar o corpo no padle, no ténis, no futebol, na zumba... eu só vou para casa...."
E andei assim uns tempos, a pensar que as pessoas tinham o terceiro lugar que eu não tenho e que por isso são mais soltas e menos enervadas com a vida. Até que se fez luz: eu tenho esse espaço e tempo, em casa, mas tenho-o, quase religiosamente umas quatro vezes por semana. Começa comigo a estender o colchão, a procurar um treino no youtube e acaba comigo mais ou menos suada, mais ou menos cansada. Esse é o meu 3º lugar. Ali sou só eu e os meus halteres, as minhas caneleiras, eu e a minha vontade. Embora eu nunca tivesse pensado nesse momento do meu dia dessa forma, ele cumpre esse papel, de me dar o tal espaço para ser e estar. Por isso, entre outras razões, é que faço todos os possíveis por manter a disciplina de estender o colchão umas quatro vezes por semana. Está na hora. Lá vou eu para o meu terceiro lugar.
Somos duas.
ResponderEliminarE eu tenho uma dificuldade enorme em encontrar o terceiro lugar.
Ultimamente esse "lugar" têm sido livros...