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segunda-feira, 17 de março de 2014

show de bola

Fomos à cidade ver o espetáculo "Canções da Maria".


 


Deve haver uma explicação psicológica para o facto de a cantora ter sentido necessidade de dar ao marido um papel, tendo de o transformar numa criança chamada Matias, que atua ao lado das filhas. 


 


Deve também haver uma explicação para o facto de a minha filha mais nova ter começado a berrar que nem uma cabrita, logo no início da segunda parte "eu tenho fome, mas eeeeuuuuu teeeenhoooo foooooomeeeeeee!!" depois de ter engolido uma barra de kinder bueno e uma bolacha oferecida pela vizinha do lado.


 


Senti vergonha, senti, perante os gritos da miúda esfomeada, que faz dieta em casa.


 


Vários foram os braços estendidos, de gente que eu não conhecia de lado nenhum, mas que sofria com a miúda ou então por causa dos gritos da miúdas, estendidos dizia eu, com bolachas e bonbons. Houve até uma senhora que me meteu meio pacote de mentos na mão, assim à laia de quem diz "toma lá isto e vê se a miúda se cala, pá!" e ela calou-se o tempo em que mamou dois mentos de seguida, após o que recomeçou aos berros. Saí da sala, deixei a mais velha com a R. Luz da minha vida e a mais nova calou-se. Andou entretida a saltar e a pular enquanto o espetáculo não acabava.


 


A explicação deve ser, ocorre-me agora, a duração do "show". Duas horas para criancinhas deve ser muito. 


Salvou-se a Mr. que aguentou tudo bem disposta e acho que até gostou. Tenho mulher.


 

sexta-feira, 14 de março de 2014

estreias

A Gr. achou que era giro ter asma, passou parte da noite no hospital mascarada.


Eu achei que era giro, estando em casa, experimentar "no knead bread". 


 


 


quinta-feira, 13 de março de 2014

relambório a 1000 à hora

A Gr. com nariz em alta produção ranhística, tosse de cão, noite de merda aqui para a mãe da casa.


 


Tenho uma nádega mais dorida que a outra, o que pode querer dizer que a direita está a ser mais bem trabalhada, logo vou ficar com a bunda desequilibrada ou ando a fazer mal os exercícios e vou ficar na mesma de rabo torto.


 


Não me chateiem com o quererem vestidos e t-shirts e sandálias, vistam lá o que quiserem sozinhas, deixem-me.


Estou cheia de sono e logo tenho a tarde cheia de miúdos passados com os dias de sol.


Eu também devo estar um bocado passada.


 


E o gajo resolve vir almoçar a casa. Tenho de ir ali ao supermercadoa alemão comprar umas salsichas. 


Já disse que estou com sono?


 

terça-feira, 11 de março de 2014

as expetativas

Andei piúrça o dia todo... melhor, eu andei foi fodida o dia todo.


Acordei com expetativas elevadas e o gajo nada. Como se fosse um dia normal.


Passei o dia todo a dizer a mim mesma: "acaba com as expetativas, acaba com elas, elas é que são aqui o problema."


 


E lá fui andando, calando as minhas vontades de os esganar, de lhe arrancar a cabeça, "a culpa é tua que esperas coisas que já sabes que não têm de acontecer, afinal um ano ou outro até se esqueceram, os dois, deste dia... iadaiada" ia eu murmurando.


 


Fui dar as minhas aulas, fui buscar a miúda à piscina e, como quem não quer a coisa, mandei-lhe uma mensagem onde perguntava lhe não lhe passava pela cabeça ser ele a fazer o jantar. Não me respondeu e lá recomecei a criar minhocas "olha, se calhar já era ideia dele fazer um jantar e queria que fosse surpresa e agora estraguei-lhe os planos, ui ca bom que era, pshiu, cala-te, pára com isso, não vai haver nada, vai vai..."


 


Cheguei a casa, afinal não me respondeu porque não tinha o telemóvel carregado: "estás a ver, pára definitivamente de criar expetativas e pára lá de lhe quereres arrancar a cabeça, o tipo não tem culpa, é gajo, é gajo, não há nada a fazer!"


 


Quinze minutos depois de estar em casa, vem-me com uma ar comprometido dizer que se calhar ainda tem de ir a Leiria entregar não sei o quê, a não sei quem.


 


É agora que eu o mato, pensei logo.


 


 


Mas não matei, fiquei ali na cozinha a engendrar um jantar e a convencer-me, mais uma vez, de que era um dia igual aos outros: "é um dia normal, faz lá o jantar e acaba com ele, o dia, não o marido, obviamente."


 


Tocam à campainha. Era a R. Luz da minha vida. Mandam-me os dois ir vestir e eu fico ali, parva a olhar.


 


Fomos jantar fora, os dois, a reserva estava feita, a R. fez o jantar, fez babysitting, com a ajuda do R. e pôs as miúdas na cama (santos R. e R.).


 


As expetativas são tramadas e o M. também. Fez-me sofrer o dia todo para, no fim, me levar a um restaurante fantástico, onde pudemos namorar ao som de uma refeição deliciosa.


Sete anos não é nada, mas até é. 


 


 

segunda-feira, 10 de março de 2014

há sete anos

Há sete anos, levantei-me na expetativa de ter um dia de sol. 


Estava e as temperaturas rondaram os vinte graus, tal como hoje.


 


De manhã, levaste-me ao cruzeiro e tiraste fotografias da minha barriga, na velha nikon manual.


Depois do almoço, fui à Manuela que me penteou e deu uns toques de cor à minha cara, à laia de maquiagem.


Em casa, brinquei com a Catarina e a Inês, chateei-me com os meus pais que pareciam à beira de uma ataque de nervos, vesti-me e  não deixei que a Neide me fotografasse.


 


À hora combinada, esperei por ti e recebemos os nossos convidados, demos as mãos e entrámos na igreja. 


 


Não me arrependo de nada. 


 


(ok,  assumo! lamento ter deixado o teu tio "não sei quantos" cantar)


 


 

domingo, 9 de março de 2014

mixórdia e que pena tenho de já não ser professora

Quando fiz a especialização em ensino de português como língua estrangeira tive uma professora que levava para todas as aulas textos de vários tamanhos e feitios, de vários géneros e retirados dos mais variados meios de comunicação, que lhe serviam para ilustrar casos da língua que podíamos estudar com os nossos potenciais alunos.


 


Eram sobretudo crónicas, mas havia também anúncios publicitários, excertos de BD e cartoons ou notícias.


 


O que é certo é que eram textos deliciosos, que realmente nos mostravam a maravilha de língua que possuímos. A grande "lição" que a professora nos deixou foi que, enquanto professores, temos de estar sempre atentos aos textos que fazem o nosso dia a dia.


 


Os sketches dos Gato fedorento e, mais atuais, as crónicas da Mixórdia de temáticas do RAP são um manacial para explorar.


São divertidos, muito bem escritos e acima de tudo, se bem explorados, permitem-nos desconstruir o uso do português. Há por lá também paródias que valem muito a pena.


E por isso, de vez em quando, tenho uma pena danada de não dar aulas de português há tanto tempo.


 


sexta-feira, 7 de março de 2014

sedentas de sol II

Deveria andar a limpar a casa.


Fico-me pela cozinha, onde o sol entra desvergonhadamente, invento razões para ir à varanda, rego plantas, limpo armários, faço tudo para não sair daqui, enquanto vou escolhendo álbuns no youtube e descobrindo cantos por limpar.


Eu devia estar a limpar a casa.


Em compensação, a cozinha está um brinco.


 


Agora, acho que vou pegar no livro, acabar com as desculpas esfarrapadas e ficar definitivamente pela varanda.

sedentas de sol

As miúdas andam tão sedentas de sol que já querem calçar sandálias e ir à praia, mesmo de bikini.


A Mr. olha para mim como se eu fosse anormal quando lhe tento explicar que ainda não chegou esse tempo.


 


Deve ser isto que os povos lá de cima sentem, quando têm uns raios de sol.


Até a mim me apetece vestir as t-shirts.

quinta-feira, 6 de março de 2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

fui ao norte e voltei: retalhos de três dias fora

Fui ao norte e voltei.


Ensaiei.


Fui ao Porto.


Cafezei com a M. e falámos de filhas e desempregos.


Mimei as minhas sobrinhas.


Estive com as minhas amigas, num lanche cheio de coisas boas de comer e conversas daquelas que dão para tudo, inclusivamente para aprender.


 


Precisava de mais destas coisas para atestar os dias de vazio.


Precisava de me meter em algo que me desafiasse o espírito e abrisse horizontes. Há seis anos que não estudo nada, há seis anos que me sinto estagnar.


 


A peça estreia em abril e, até lá, só irei aos ensaios finais, já com cenários e figurinos. Tenho de me dedicar a sério à Gina e à Mercedes.


 


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...