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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Relambório

Diz que a peça é para estrear hoje. Tenho tudo pronto exceto o texto na minha cabeça. O ensaio geral foi a cagada do costume. Serviu para chorar a rir, valha-nos isso, com toda a cagada que conseguimos fazer. Odeio escrever no telemóvel, não vejo bem o que estou a fazer, se houver erros a culpa é dele. As miúdas estão bem, obrigada. Estou no Porto, mesmo ao pé do estádio do dragão. Só logo à tarde é que tenho de ir para o local do espetáculo. Os sapatos que tenho de usar são uma tortura, acho que vou ficar corcunda à conta deles, já para não falar que não ajudam a criar a postura de freira drogada que era suposto ter. Olha, que se lixe. Seja o que for. Merda para logo. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Diz que tenho de ir outra vez ao supermercado

porque aparentemente prometi lasanha para jantar. 

notas soltas para encher chouriço

Na semana passada, juntei-me a duas senhoras/meninas que resolveram baldar-se às aulas de tarde e fomos arejar as ideias. Não saímos daqui da zona, embora o sol convidasse a passeios à beira mar.


O pai fez o nosso jantar de dia de são valentim e no sábado de manhã acordou com dores de dentes.


A miúda mais nova, de acordo com recado escolar, deverá ir mascarada, já nesta sexta-feira, de rainha. Como não vem especificado que tipo de rainha, estou a ponderar a hipótese de a vestir de Madonna, a rainha da pop.


Ontem, após o almoço, na escola onde dou aulas de tarde, no caminho entre salas de professores, um miúdo do primeiro ano mandou-me uma sapatada na zona íntima, que eu aqui costumo apelidar de pipi.


Não posso deixar registado o que lhe fiz - ao miúdo, não ao pipi - sob pena de me considerarem uma besta. 


 


 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

só pra não me esquecer

Aqui há umas semanas, para efeitos experimentais no âmbito teatral, fumei uma cenas.


Como canta Courtney Barnett


I was never good at smoking bongs.
I'm not that good at breathing in.


Provavelmente, nunca serei aquele tipo de pessoa capaz de sentir aquelas trips boas que, supostamente,  a erva proporciona, o que, a bem da verdade, é uma bela merda.


As únicas coisas que senti foram: náuseas e vómitos, associadas a relativo desconforto intestinal.


Bela merda! 

sábado, 8 de fevereiro de 2020

também... só vens aqui para te queixares ou para te gabares de alguma coisa!

Oh yeah, baby... desta, é para me gabar!


"Metas literárias" (sic) da minha miúda mais velha: acabar a saga do Harry Potter, depois ler o D. Quixote, para avançar para Os Lusíadas. 


Oh yeah! 

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

coisas estranhas

No sábado, a mais nova teve o primeiro sarau de ginástica acrobática. Esteve desde as quatro até às seis e meia enfiada num maillot lindo de morrer, toda ela elegante, linda de morrer, num pavilhão gelado como o Alaska.


A mais velha é que ficou constipada. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

mais um que diz nada de jeito

À minha volta, pessoas cheias de cancros. Dar graças por nenhuma delas ser meu pai, minha mãe, meus irmãos, filhas ou marido é uma ação egoísta? Falta de chá, insensibilidade? Escrever isto aqui piora as coisas? faz de mim uma besta?


É difícil falar/ escrever sobre estas coisas, no entanto, na verdade, é só quase esta questão que me ocupa os dias, se excluirmos o trabalho (os putos andam doidos) e as minhas miúdas (as miúdas andam doidas).


Por isso, calo-me. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Notas soltas

Já desdecorei a árvore de natal, falta desmontá-la.


A luzinhas estavam todas enredadas e pensei seriamente na possibilidade de deitar fora os papelinhos amarelos que têm palavras escritas por cada um de nós, do segundo calendário do advento, se não estou em erro. Se pensei, melhor o fiz. Deitei-as fora. Agora que vejo isto escrito sinto-me uma besta.


Por falar em calendário do advento, as coisas andam tão más no que toca a convívio familiar que estou a pensar elaborar um calendário do carnaval, chamar-lhe-ia "carnis vale calendarium", aproveitavamos a onda e deixavamos de comer carne, ao mesmo tempo que fazíamos cenas todos juntos que não fossem só ver séries (maldita netflix). 


 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

lemos (para mais tarde não darmos por nós a escrevermos coisas como "le-mos")

Depois do jantar e da cozinha (mais ou menos) arrumada, conduzo-as para o meu quarto. Está quentinho. Levo três livros: o meu e um para cada uma delas. A Mr. está a ler a saga Harry Potter, vai no terceiro volume, para a Gr. escolho eu para facilitar a coisa e não haver dúvidas de que tem de ler um livro de gente grande (escolhe regra geral os livros da Bia e o unicórnio, que já leu ou um qualquer com mais imagem do que texto).


Sentamo-nos na cama e lemos. Eu agarro-me às intermitências da morte de Saramago, a mais velha aos dementors (salvo seja) e a mais nova a uma aventura no supermercado. Sou interrompida pela mais velha e pelos seus brados ai que isto é mesmo assustador, ai que mete mais medo do que os filmes e pela mais nova, à medida que vai encontrando palavras escrita na ortografia pré acordo e se espanta, como se fossem palavras novas e raras. 


Aquela coisa que eu defendia de não obrigar os meus filhos a ler foi pelo cano da experiência maternal abaixo, aquela teoria do Pennac de que o verbo ler não tem imperativo foi pelo mesmo caminho.


 

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

gentilezas

No dia 23 de dezembro, no supermercado, quando eu disse ao marco que não tinha nada para ele desembrulhar, dado que tinha comprado dois bilhetes para Nick Cave, ele apontou para um livro do Bill Bryson e disse: quero este livro. Então, eu apontei para o novo do Tordo e disse: eu quero este.


No dia 24, à noite, trocámos as nossas "prendas".


No dia 30 de dezembro o marco comprou-me umas pantufas, que me ficavam a "chinelar". Vendo que me ficavam a "chinelar" pediu à sogra a caixa da costura e toca de as arranjar.


Nessa mesma noite partiu-me queijo fininho, como eu gosto.


Nem sempre há surpresas, mas fazemos por ter gentilezas que são como chávenas de café quente numa tarde fria de janeiro. 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...