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terça-feira, 21 de maio de 2024

47 and counting

Fiz quarenta e sete na quinta-feira passada.


Hoje, uns miúdos, sabendo que eu tinha feito anos, perguntaram-me "quantos anos fizeste, teacher?" e foram mandando palpites. "vinte e oito!" , "trinta!", "dezasseis!" - são tão totós, benza-os deus.


A resposta que lhes dei foi "digo-vos no fim da aula." Entretanto, esqueci-me e a aula acabou, estes sairam e deram lugar a outra turma.


Quando finalmente saí da sala, para me vir embora, encontro os primeiros a lanchar, que voltam a perguntar afinal quantos anos fizeste. Quando lhes respondi quarenta e sete fizeram um ar de espanto de boca aberta e, assim que me despedi bye bye e virei costas, ouvi-os dizer "ih! que velha!"


 


 


 

domingo, 5 de maio de 2024

respirar

As "coisas" não andam fáceis por aqui.


Há cerca de um mês, após uma aula de yoga que surgiu para compensar uma ausência da treinadora, dei por mim a procurar sessões de yoga no youtube.


Há cerca de um mês que quase todos os dias faço yoga. Se calhar, é uma afronta para os praticantes a sério ler isto, posso escrever que "há cerca de um mês dou por mim a seguir as instruções de uma instrutora de yoga e a praticar movimentos e poses, a respiração durante as diferentes poses e na mudança de pose para pose". Talvez seja menos insultuoso...


Há cerca de um mês que desenrolo o tapete e meia hora do meu dia é dedicado só a isso. A respirar, em posições que me esticam para lados diferentes ao mesmo tempo.


Escolhi uma instrutora, e são os vídeos dela que me acompanham, sem música, só o som da sua voz que vai dando as instruções, sugerindo alterações para quem quer ir mais além e para quem não consegue ir mais além e precisa de adaptações e os passarinhos, porque quase todas as sessões são gravadas ao ar livre, no meio de bosques.


Eu não sei se este "yoga" me vai salvar desta fase, mas que tem ajudado, isso tem. Já tinha lido muitos comentários de pessoas que choram durante a savasana e ontem dei por mim com as lágrimas a correr sentada em sukhasana. 


 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

adolescência

É sabido que a adolescência traz afastamento das crias.


Sabêmo-lo na teoria, aguardamos a sua chegada enquanto pensamos com os nossos botões que daremos conta dele, easy peasy ou piners, como dizia o outro.


O filho da mãe do afastamento, que às vezes até tem ali um vago cheiro de ódio misturado com desprezo, chega e cai-nos tudo. 


Damos por nós a apanhar os cacos das nossas ideias pré-concebidas, argumentando que é preciso relativizar, mas caramba! isto mói.  

segunda-feira, 15 de abril de 2024

o que é moderno?

Bem a propósito, na unidade 4 "my family", o manual do 3º ano vem com um áudio chamado "Modern families". Quatro crianças apresentam as suas famílias, os miúdos têm de as identificar.  Uma família dita tradiciona, uma birracial, uma família asiática alargada e, por último, uma constituída por duas mulheres e dois filhos.


Na primeira turma da manhã, quando inicio a conversa, pergunto-lhes se percebem porque é que o áudio se chama famílias modernas. As respostas são extraordinárias e nenhuma aponta para os elementos que constituem os diferentes grupos ou laços entre eles. São modernas porque "estão vestidas à moda", porque moram em cidades, porque são "chinesas".


Chamo a colega titular e peço-lhe que me ajude a conduzir a conversa. Eu não tenho nenhum objetivo em concreto, acima de tudo receio levantar questões que possam ser mal interpretadas e quero apenas ouvir o que eles têm a dizer. Deixo que seja a colega a fazer as "despesas". Nenhuma criança daquela sala revela incómodo ou estranheza por haver ali um casal de lésbicas ou outro constituído por duas pessoas diferentes na cor.


Na turma da tarde, já quase no fim do tempo, faço a mesma pergunta. Não há respostas, mas vejo espanto e incrudelidade: teacher, ali naquela família há uma mother e uma stepmother, como é que isso é possível? e levanta os braços, com ar de quem diz "duas mulheres não funciona, ou funciona?"


Começam a falar uns com os outros, não querem que eu ouça, insinuam coisas que não ousam dizer, como se fossem asneiras ou palavrões. "isso que dizer que elas são.... " e pára, fica ali com a palavra suspensa. Lésbicas, acrescento eu, e vejo-os encolherem-se. A teacher disse "lésbicas"! 


E lanço a pergunta: porque não?


Diz uma: uma senhora pode ter tido um marido, mas depois ele morreu ou separaram-se e depois ela arranjou uma pessoa que é uma senhora e decidem criar os filhos." Claro, digo eu. E olho para o relógio. Acabou o tempo, deixo-os com aquela ideia. Mando-os arrumar, despeço-me e saio.


Venho para casa a pensar como dois grupos de alunos conseguem ser tão diferentes.


 

segunda-feira, 11 de março de 2024

assim coisas soltas e aleatórias

Passou-se fevereiro e não pus aqui os dedos, para escrever o que quer que fosse.


Não é que fevereiro não tenha sido rico em coisas. O trabalho, a falta de vontade, a má gestão do tempo levam-me daqui.


Tenho andado focada nas aulas que dou, nas coisas da minha casa, nas minhas coisas, nas filhas, no tempo à lareira, em séries e em livros. 


Fui ver Tim Bernardes, fui ao cinema ver a adaptação do vento assobiando nas gruas, da Lídia Jorge, tenho lido, mas tenho também passado tempo a mais naquela rede social onde os mais novos só deixam "histórias" efémeras e os mais velhos registos vários para a posteridade.


É muito isto que nos diferencia, parece-me. Instagrams que vivem de marcas que permanecem e os outros, que têm zero publicações, mas inúmeras histórias que as 24 horas apagam. 


Ontem, o meu casamento fez dezassete anos e ontem, também, o país deu a vitória nas eleições legislativas à força da direita.


Não sei porque fiquei surpreendida. Afinal, é apenas a repetição do que se vem a passar por todo o mundo nos últimos 8 anos.


Acho que tinha a esperança patética de que fôssemos diferentes, de que não nos deixássemos levar pela vontade de votar no inseticida, para nos vermos livres das aranhas, como se fôssemos imunes ao veneno que vem no inseticida.


Quando eu precisar, sei que não é o partido do cocó que me vai ajudar. Quando eu precisar, sei que são as forças da esquerda, dos valores da democracia e da igualdade de direitos e deveres que vão estar do meu lado.


Tenho pena que as pessoas cansadas (as trabalhadoras, que picam o ponto das 8 às tantas) não sintam o mesmo. 


 

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

para memória futura - Natal 2023 (só mesmo para isso)

Natal com parte de lá


até dia 29 pela zona norte


dia 30 arruma mala enfia tudo muito apertadinho na traseira do carro, ala para as beiras


"passagem de ano" a olhar para o relógio, quando é que chega a meia-noite, para fazer de conta que isto importa e eu poder ir para a cama?


regresso a casa no dia dois, para voltar à labuta no dia seguinte


 


 


 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

calendário advento 2023 report

Falhámos, até agora, uma das atividades: desfile de moda.


A primeira quarta-feira do mês, dia cansativo, estávamos, os adultos da casa, sem energia e passámos o desfile para um dos dias que está marcado como "livre".


O que já aconteceu:


dia 1, montámos a árvore de natal ao som da banda sonora natalícia, dançámos e tirámos fotografias espatafúrdias.


dia 2 (sábado), fizemos uma sessão de Taskmaster britânico (com snacks). Aqui há uns tempos, apanhei uns episódios na Sic radical e achei bom. Vi todos os episódios do português e não houve nenhum em que não me viessem as lágrimas de tanto rir. Pensava eu que aquilo saía tudo da cabeça do Palmeirim e do Markl. Qual não foi o meu desapontamento quando vi que há tarefas que são pura e simplesmente cópia da versão britânica! 


no dia 3, por ser domingo e adivinhar preguiça e neura, defini que seria o 1º dia livre


no dia 4 fizemos um picnic em frente à lareira;  no dia 5 provámos chocolates à lareira.


Ontem, comemos uma sobremesa especial, na companhia dos tios que vieram passar a noite. 


Não sei durante quanto tempo as adolescentes quererão manter a tradição do calendário. Para já, continua a quebrar a monotonia dos dias e a "forçar" momentos a quatro que são, regra geral, fonte de alegria e prazer. 


 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

assim coisas soltas e aleatórias

o pai cá de casa vai ser operado novamente, desta vez à clavícula;


o mais velha anda cansada e mal humorada (levantar todos os dias às 6.30, chegar a casa às 19.30 e ainda ter tarefas da escola para fazer é puxado);


a mais nova numa fase complicada, com a qual não sabemos lidar. Pudessemos nós ir à escola e partir as trombas a bullies e cenas assim... ;


eu cheia de trabalho, mas a aproveitar o facto de o pai ainda se poder mexer para cumprir com o ato de treinar trinta minutos quase todos os dias, aqui na sala, acompanhada de senhoras várias, todas elas boas como pipocas, que se dispõem a colocar vídeos no iutubi.


É o meu momento zen, que se reduzirá significativamente quando o pai vier da operação. 


Há quem viaje, quem cozinhe, quem leia, quem medite. Eu castigo o corpo e foco-me na dor muscular para afastar os demónios, os pensamentos destrutivos, os medos e ansiedades.


Acabei há pouco um livro de ficção à laia de diário de um autor que desconhecia (Teju Cole), regressei ao Infinito num junco, mas necessitava agora de um bom romance que me levasse para a cama e me embalasse as noites. 


 

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

mais registos, que isto de vir cá uma vez por mês é chato

Setembro foi-se devagarinho. Outubro entra a correr, tão depressa que já lhe sinto o fim e ainda agora começou, só que não.


Alterno entre dias de muita motivação e outros em que só o costumeiro "empurra com a barriga" me tira da cama.


Também dou por mim a ter ideias fantásticas, derrubadas no segundo seguinte pelo também costumeiro "síndrome do impostor", que me leva a desistir antes de começar. 


No que toca à "carreira", colocada em QZP, dou por mim num qualquer escalão, não tendo de passar pela "proba" de fazer o período probatório. Não me safei da PACC ("proba" de aptidão, inventada pela exma. dra. maria de lurdes rodrigues, entretanto extinta), mas safei-me desta. 


As miúdas andam mais ou menos desalentadas, especialmente a mais nova.


As novidades dos dias de liberdade ainda conquistam a mais velha. Apanha o autocarro e fica entregue à sua vida lá longe, em Fátima, dona dos seus tempos livres de aulas. 


O pai será operado à clavícula, um dos muitos ossos partidos no acidente de mota, talvez ainda este mês. Seguem-se meses de recuperação, que o vão manter de "baixa pela caixa".


Deixei os treinos na associação recreativa, procuro treinar umas meias horitas todos os dias em casa, para ver se os efeitos da perimenopausa não começam já a fazer das suas. Para já, tenho sido disciplinada, mas de manhã olho-me no espelho após o banho e acho que os gajos (os efeitos da menopausa que há-de vir) já me pegaram de jeito. 


Coisas boas, que isto de me queixar já chateia: a maior parte dos miúdos a quem dou aulas é boa onda, miúdos mimosos, que gostam de abracinhos e me dizem coisas bonitas, idem aspas as colegas titulares. O horário e as colegas de grupo que me calharam na rifa são do meu agrado.  Finalmente veio um bocadinho de frio, que dar aulas em salas onde se registam trinta e tal graus em pleno outubro não funciona. 


 


 


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...