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quinta-feira, 21 de março de 2019

isto é uma coisa de nada(quase tudo é uma coisa de nada)

Há intervenções cirúrgicas que são feitas em série. Assim, tu chegas ao sítio, previamente marcado com dois dias de antecedência, fazem-te as perguntas da praxe (tem doenças? toma medicação? tem alergias?) e depois ala para o bloco.


E ficamos assim meio embascacados, sem saber se esperamos sentados, se vamos à nossa vida, afinal que é isto no meio do turbilhão de coisas que acontece todos os dias? nada, um grão de pólen no ar.


E tu vens, à tua vida e de vez em quando páras para pensar mas já nem avanças com o que te assoma à cabeça tanta gente que não acorda da anestesia, tanta merdinha que pode correr mal mas não vai correr, vai fazer as camas será que já saiu do bloco será que a porcaria da pedra foi à vida será que vai tudo correr bem afinal que é tirar uma pedra do rim comparado com um tumor com um acidente grave com um transplante de medula ou outro órgão nada nada. 

quarta-feira, 20 de março de 2019

parabéns, Guiomar

Há nove anos, quando nasceste, o teu avô Zef escreveu assim:


À Guiomar

(para quando souber ler-me nos olhos)

Subo o monte nuvem pesada.
As borboletas descem,
leves, flores ligeiras:
sabem os sítios de crescer,
auroras aladas.

Guarda-nos flores.

(20 de Março, dia de flores, 2010)


Parabéns, Guiomar 


 

segunda-feira, 18 de março de 2019

o fim de semana

O quarto delas era a ala dos tuberculosos - tosse e tosse e tosse.


O resto da casa a ala de nefrologia, com um marido agarrado aos rins. Dizem as más línguas que agora ele já sabe o que é dar à luz.


Serviço público: chá de alburno de tília selvagem parece que faz milagres. 

quarta-feira, 13 de março de 2019

mais um que diz nada de jeito

Lá estamos nós: eu e o silêncio quebrado pela carripana que sobe a estrada ou pelo zumbido da mosca.


Está sol, mas um ventinho frio e cortante como uma faquinha de tirar caroços às azeitonas.


O café foi tomado com as meninas Rita e Júlia, ao som dos guinchinhos da segunda, depois de deixar duas filhas na escola, uma que partiu para uma visita de estudo e outra que rumou à sala do costume.


Estica-se a vontade de fazer zero até ser impossível, porque os deveres chamam. 

terça-feira, 12 de março de 2019

post só parvo

Primeiro a constatação: olha, que estúpida, deixei ficar lá o dedo.... fechei a porta do carro e deixei lá o dedo. Aqueles dois segundos em que percebemos que não tirámos o dedo e ele ficou entalado na porta do carro.


Depois, mais dois segundos para o cérebro reagir e gritar "abre a merda da porta e tira daí o dedo, sua parva".


Mais uns milésimos de segundos passam enquanto abrimos a porta e, em simultâneo pensamos, isto vai doer tanto, caramba!


Tiramos o dedo e sentimos uma dor aguda e estonteante que cresce ao mesmo tempo que desejamos cortar aquela ponta que parvamente não saiu da porta antes de a fecharmos.


Ah! que belos dias vivemos. 


 


 


Antes continuar sem máquina da roupa. 


 


 


 

segunda-feira, 11 de março de 2019

quando nasce uma mãe

 - aviso inicial em tom de ninguém sinta que isto é um recado especialmente para si - isto não é um recado especialmente para ninguém. 


 


Quando nasce uma mãe, não nasce necessariamente um pai, às vezes até a mãe demora a nascer.


Por isso, uma mulher deve pensar muito bem nisso de fazer nascer um filho, se puder (às vezes, não pode ou não é capaz).


Poucas coisas há de mais solitário que isto de ser mãe. 


 


 


 

sexta-feira, 1 de março de 2019

Epifanias

Uma pessoa chega aos quarenta e poucos (pouquinhos) e descobre que é aquela espécie de dona de casa desesperada, capaz de comer aquelas três filhas da mãe daquelas bolachas só para conseguir fechar o filho da mãe do tupperweare das bolachas! 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

dancemos, então...

Eu não sei dançar a valsa, disse-me ele baixinho.


Não faz mal, eu respondi. Dançamos outra coisa qualquer. 


E dançámos um bocadinho, ali, os dois, coladinhos.


Não sei que dança era, se era tango, se era salsa, mas estávamos no mesmo salão. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

na batalha, na guerra!

Estava difícil pôr a mais nova a ler. Tal como fiz com a Mr. nunca a obriguei a pegar num livro. Fui fazendo pressão, pouquinha, fui pondo livros no meio do caminho, mas a miúda não tinha interesse nenhum (nada de mais, a mr também demorou a ainda agora é preciso forçar um bocado a barra).


Entretanto, na escola, uma miúda apareceu com um livro de BD que metia um unicórnio. Tudo em tons de rosa, como a chavala gosta e aquilo deixou-me interessada.


Na última ida àquela grande superfície comercial que começa em F e acaba em ac, comprei-lhe o primeiro da coleção. Já vai a mais de meio. E é muito gira vê-la concentrada, com a cabeça mergulhada no livro. 


Estou também a dever dinheiro à Mr. porque subornei-a para ler um da Alice Vieira e ela já vai para o segundo, tendo gostado do primeiro (Paulina ao piano). 


Não me lembro de alguma vez ter sido subornada pelos meus progenitores para ler, mas ei! vale tudo na guerra a favor da aculturação das camadas mais jovens! 


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...