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domingo, 22 de maio de 2022

45

Entrei nos 45 há uma semana. Não estou mal. O dias de sol ajudaram.


O dia de anos em si valeu pela noite. A atividade letiva do dia em causa (segunda-feira passada) foi medíocre. 


Às quatro e pouco segui com a mais velha para a cidade e permiti-me começar a celebrar o facto de fazer anos. Mandámos abaixo um crepe e demos umas voltas na catedral do consumo, onde lhe comprei uma t-shirt, desconstruindo a ideia de que é o aniversariante a receber prendas.


Em casa, o marido entregou-se à confeção do jantar e entretanto chegaram o rui e a rita. Petiscámos umas coisas que o marido arranjou e sentámo-nos à mesa. O vinho escolhido pelo marido era bom.


Em amena cavaqueira jantámos. Foi uma cena simples e agradável. 


Toda eu, no entanto, anseio por uma festança cheia de gente e comida, de música para ouvir e dançar e de conversas parvas, para me fazer lembrar que apesar dos 45 ainda estou cá para as curvas. 


(nota: estou a tentar escrever este post há uma semana. O primeiro parágrafo foi mudado três vezes, à medida que a semana foi avançando.)


 


 


 

quarta-feira, 11 de maio de 2022

bois will be bois

As doenças sexualmente transmissíveis são assim chamadas - transmissíveis - porque passam, única e exclusivamente, entre as mulheres. Não há homem que as tenha e que, por via de as ter, as passe às mulheres.


As gravidezes, já agora, são também da responsabilidade exclusiva da mulher, que circula pela vida a recolher esperma alheio, à revelia do macho.


Senhor Doutor médico de família, ensine as suas doentes a controlarem os ímpetos sexuais e a não angravidarem. Ou então, deixe-se lá disso de permitir IVGs só porque a paciente "pede". Continue também a não solicitar exames de diagnóstico de problemas provocados por relações sexuais desprotegidas. Assim, as possíveis doenças sexualmente transmissíveis não aparecem nas suas fichas, a sua reputação (do sr. dr.) não é manchada.


Em relação aos seus doentes machos, deixe-os lá andar livres e soltos. Afinal isto das consultas de planeamento familiar é só para mulheres. Os homens não planeiam nada, a gente já sabe. Boys will be boys, não é?  


 

sábado, 23 de abril de 2022

desmazelo (de deixar de zelar)

Escrever "lembro-me como se fosse hoje" não seria verdade, mas lembro-me bem de chegar a casa deles e vê-la, recém mamã, enfiada num par de velhas calças de fato de treino e uma sweat estragada, manchada de lixívia.


Sentámo-nos no sofá, com o bebé entre nós, e fomos pondo a conversa em dia. Eu estava muito longe de vir a ser mãe, acho até que ainda estava na faculdade, não sabia nada de nada.


Lembro-me de olhar para ela e pensar que nada justificava aquele desmazelo.


Lembro-me muitas vezes deles e dela especialmente. Como eu não sabia nada de nada.


Lembro-me muitas vezes dela, especialmente em dias como hoje, enfiada num par de calças de ioga e numa sweat da pantera cor de rosa. Ela tinha acabado de ser mãe. Eu não tenho "desculpa" parecida.


Talvez o modo covid, mas será que este justifica o desmazelo? 

quarta-feira, 20 de abril de 2022

para não esquecer (fugindo ao título para memória futura)

Ao décimo nono dia do mês de abril de 2022, dois anos e picos depois do início da pandemia, os adultos desta casa testaram positivo, com sintomas, ao Covid19.


Nessa noite, a nossa gata deu sinais de morte e deixou-nos de madrugada. 


A minha Pata. A nossa Pata. 


 


 


 

sábado, 16 de abril de 2022

Meia-idade

Já somos homens e mulheres de cabelo grisalho. Não enganamos ninguém, chegámos à meia-idade, seja lá o que isso for.


 

sábado, 9 de abril de 2022

notas soltas para memória futura

A adolescência dos nossos filhos é um veneno que os pais vão tomando em doses homeopáticas. Eventualmente, eles crescem e deixam de o despejar no café ou nas bebidas e o que houver no sangue é excretado.


Para já, sinto-o nos meus poros todos.


Há umas semanas, voltámos (o grupo de teatro do qual faço parte) aos palcos.


O Marco perguntou-me há quanto tempo eu não me sentia feliz e eu fui capaz, sem sombra de dúvidas, de responder que me senti muito feliz no palco no fim de semana em que regressámos. Tanto, que desisti de desistir do grupo. 


O meu cabelo está cada vez mais branco. Os meus cabelos brancos não me incomodam por serem brancos. Incomoda-me o serem parvos, com uma estrutura completamente diferente dos outros que ainda não embranqueceram. Não são lisos, mas também não são ondulados. Fazem da minha cabeleira uma coisa estranha. O meu cabelo anda a contribuir, em parte, para o meu estado atual de estar um bocado na merda. É absolutamente "redículo", eu sei, um problema de primeiro mundo e de um mundo onde não temos de nos esconder em bunkers para nos safarmos de uma bomba, eu sei. 


Meio sistema de ensino está em pausa letiva mas nós em semestre, o que significa que pausas não são para nós. Pessoalmente, não tenho nada de bom a dizer disto da semestralidade. Nunca estive tão cansada e, provavelmente, tão ranzinza. 


Está esclarecida a minha ausência do caixote, nem eu me aguento. 


 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

a ver....

Talvez seja de andar a ler livros onde os fascistas ganham sempre, mesmo que percam a guerra, talvez seja disso...


Tenho medo e vergonha de termos agora um partido fascista com 12 energúmenos no parlamento. 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

é só negas!

Eu: pingo no nariz, dor de cabeça, umas vezes leve, outras mais chata, às vezes o corpo pesado, arrepios de frio... mas os testes feitos em casa continuam a dar negativo.


A mais nova: dores de barriga pela manhã, dores de garganta à noite... mas os testes feitos em casa continuam a dar negativo.


Ele: dores de cabeça, cansaço...mas os testes feitos em casa continuam a dar negativo.


Nunca chumbámos tanto, com a impressão contínua de que o professor se está a enganar na correção do teste. 


Amanhã vou levar o material para análise ao professor antigéneo, que ao contrário do que o nome indica, deve ser mais inteligente do que o outro.

Os Doentes do Doutor García

Acabei ontem à noite os "Doentes do Doutor García".


É assombroso. A teia de acontecimentos e de personagens, umas ficticías, outras reais, o desenrolar aparentemente desorganizado e cheio de analepses e prolepses, as descolcações no espaço e nas personagens, nas formas de narrar, ora na primeira pessoa, ora na terceira, o ter de perceber onde estamos a cada capítulo, quem nos fala ou de quem nos falam...


o final, a pender para a tragédia premente que é a nossa enquanto peões... 


é o livro de uma vida.


 


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...