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quarta-feira, 25 de setembro de 2024

let's talk about perimenopausa

Não me lembro exatamente quando, mas o meu feed de instagram começou a ser "bombardeado" com o conceito de perimenopausa. 


Comecei a seguir uma médica americana, com conteúdo sucinto e esclarecedor e comecei, pois claro, a sentir que também eu estava a caminhar, se não mesmo, em pleno período "perimenopáusico".


Uma das ideias constantes da Dra Haver é que, enquanto mulheres, temos de defender aquilo que sentimos no nosso corpo e que tantas vezes é desvalorizado pelos profissionais de saúde.


Perante um quadro que incluía muitos dos sintomas da dita perimenopausa, marquei uma consulta de especialidade. Pesquisei pela zona e só consegui em Coimbra. É sempre dificíl, para mim pelo menos, ir a um ou uma ginecologista desconhecida, mas convenci-me de que tinha de o fazer e lá fui. Na primeira consulta senti-me ouvida e saí convencida de que estaria a começar uma jornada e que seria apoiada no que fosse necessário.


Fiz os exames pedidos e iniciei a toma de um medicamento que iria, segundo a médica, "atacar" alguns dos sintomas. 


Faço os exames e descubro que tenho uma anemia bem gorda e um útero armado em parvo, padecente de adenomiose. 


Chego à segunda consulta e, perante os resultados dos exames, a médica centra-se na necessidade de "curar" a anemia, provocada pela adenomiose e "manda-me" iniciar uma pilula anticoncecional (daquelas que se tomam sem pausa e que inibem o sangramento que imita a menstruação - graças à Patrícia Lemos sei que com pílula não se ovula, logo não há menstruação). 


Na minha cabeça disse um palavrão cabeludo! Então, fiz eu uma laqueação das trompas para não me preocupar mais com anticoncecionais e, agora que estou a chegar à fase da vida em que não devia ter de me chatear mais com possíveis gravidezes, é que tenho de tomar pílulas?  - "eu não quero, dra! Dou-me muito mal com pílulas! A adenomiose nem me chateia assim tanto...."


 - "Temos de tratar essa anemia...já viu? vai tomar ferro e se  se der bem com a pílula, trocamos pelo DIU:" 


Disse outro palavrão cabeludo (bem baixinho)! A sensação inicial já tinha ido pelo cano abaixo. Não me senti "escutada", mas fui incapaz de me defender.


Isto foi no início deste mês. Entretanto, tenho andado aqui a remoer. O ferro dá cabo de mim - enjoos, diarreia etc. A pílula ainda não comecei... 


Quão mau é marcar uma consulta noutra médica? De acordo com a Dra. Haver, é só o que devemos fazer se não nos sentimos ouvidas. É sermos capazes de nos defendermos.


Já o fiz, já marquei outra consulta! O problema é que, para não faltar às aulas, tive de a marcar para janeiro. Fico aqui na dúvida se devo ou não experimentar o raio da pílula, enquanto não chega janeiro. Fico aqui na dúvida... 


 


 

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

casa

Passo naquela rotunda e nos primeiros segundos acho que vocês ainda estão ali, na primeira saída, no bairro do pinhal do carrola. 


O pai fala em vender esta casa e sinto que se esta casa for vendida perco um bocado mais de chão. Nunca me senti em casa em baltar, não me sinto em casa na batalha, mas aqui sinto (sei que provavelmente é porque aqui passo pouco tempo), mas aqui sinto-me em casa. 

quinta-feira, 25 de julho de 2024

re(de repetição)post

 


Encontrei hoje este texto, de 2016, numa volta pelos meses de julho do passado deste blog. Achei-o tão delicioso que faço uma coisa inédita: volto a publicá-lo (é a segunda edição, que a primeira já foi toda vendida).  


levanto a gr primeiro, preparo-a para a escola. que ela agarre bem estes últimos dias de despreocupação que o jardim infantil representa. levo-a e regresso a casa. a mr está à minha espera e tenho de lutar um bocadinho contra a preguiça que a acomete para a fazer sair de casa. vamos tomar café, compramos o que será o  nosso almoço, fruta fresquinha e regressamos a casa. obrigo-a a ler, pondo em causa os direitos do leitor e os mandamentos da lei da leitura mais a gramática do verbo ler que não admite imperativo tal como o verbo ama e ela cede. depois liga a televisão e vê o zig zag. eu faço camas, arrumo roupas estendidas no estendal e no chão, que é o estendal preferido das minhas filhas e às vezes do meu marido, vou dando umas voltas pela blogolândia, faço o almoço, ela põe a mesa. à tarde a porca torce o rabo, não a deixo ver televisão e ela estende-se pela casa num aborrecimento sem fim. eventualmente deixo-a ir para casa da vizinha adolescente, que, coitada, tem de aturar a conversa constante e acelerada da minha filha. se o vento não nos lixar o esquema, há banho na piscina insuflável e depois lanche. por esta altura já o pai chegou e vou buscar a mais nova, que me abraça num abraço quente e saudoso para começar logo a seguir a pedir qualquer coisa pequena que perdeu, não sabe onde está, ou o peluche da patrulha pata ou o playmobil do bebé ou sei lá o quê. penso no jantar, faço-o, jantamos e elas brincam uma com a outra. os brinquedos do sótão têm regressado a casa e há mais coisas espalhadas, a mr. quer-se maquilhar e eu não deixo, temos conversas sobre o que significa ter quase nove anos e sobre ser criança. andamos assim, a curtir os dias que passam sem que haja testes e fichas para corrigir, notas para lançar e coisas chatas e obrigatórias. estamos de férias mas não estamos.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

assim coisas soltas e aleatórias

Este fim de semana, o pai e a mais nova foram dar uma volta ao nuorte e eu fiquei com a mais velha, que ainda está em modo estágio, portanto, passei muito tempo sozinha.


Podia ter feito daquele tipo de limpezas em casa que só a "solidão" permite, mas optei por fazer nada, para além de ver filmes, ler e andar por casa aborrecida. 


Vi Licorice pizza e Tudo em todo o lado ao mesmo tempo. Gostei muito do licorice pizza. É aquele tipo de filme que nos deixa suspensos, à espera que aconteça algo absolutamente estranho e desviante, mas depois nunca acontece e acabas por ficar contente por nada disso acontecer e porque acaba como tu previas, mas tinhas medo que o previsível não acontecesse.


Estou a terminar um policial escrito pelo Paul Auster, sob um pseudónimo que agora não recordo e tenho ali num montinho os livros que vou levar para a praia (incluem Elena Ferrante). 


Estas são aquelas semanas "parvas", em que me sinto num limbo, à espera que venham as férias "a sério" e acabo por não aproveitar o tempo. 

segunda-feira, 15 de julho de 2024

casei-me

na saúde e na saúde, casei-me com um agrupamento de escolas


o herpes é agora uma ferida chata ao canto da boca, mas trouxe com ele uma infeção no olho.


na quinta-feira passada, a caminho de um treino, depois de um dia de cão, recebo uma chamada do Marco, que se tinha pisgado para um jantar com amigos. Eu tinha ouvido a notificação de mensagem, mas estava a conduzir. Atendi a chamada e o homem grita-me de lá do restaurante "Vê a mensagem! vê a mensagem!" Quando percebi que seria a minha colocação, nem acertava com os dedos para abrir o raio das mensagens.


Para quem estava cheia de cagaço (Lisboa era o meu destino, acreditava eu), ficar aqui pelas bandas do oeste, ainda por cima onde há um monumento que é património da humanidade, foi assim como um duche de água morna para uma pessoa suja e cansada.


Vou de férias sabendo para onde vou e que é lá que fico uns tempinhos.


 


 

quarta-feira, 10 de julho de 2024

para registo - fim de ano letivo

Um ano letivo passado, as horas maratonas, os dias e os meses sprints.


Miúdas crescidas, a mais velha a caminho do segundo ano do curso de cozinha, agora em estágio (já a cozinhar quando lhe disseram que nem iria chegar perto do fogão), a mais nova a caminho do 9º, agora em férias dedicadas à guitarra elétrica (da bateria passou ao ukelele, do ukelele à guitarra acústica e agora passa as tardes com uma das guitarras do pai).


O pai, por falar nele, passou quase o ano todo em casa, graças ao acidente de mota ocorrido em agosto. Regressou à escola em finais de abril, para poder progredir na "carreira" e a mãe naquele limbo de quem está sem atividades letivas, mas sempre à espera de trabalho não letivo.


À espera, também, de desembrulhar o presente envenenado que foi a vinculação dinâmica, ou seja, estamos à espera de saber o que vai ser de nós no próximo ano letivo. O sr. ministro diz que as listas saem esta semana, sem ter consciência de que a semana tem cinco dias e que a nossa ansiedade ainda vai dar cabo de nós. A mim, trouxe-me um senhor herpes, aqui no lado esquerdo e acho que a comichão no olho e a sensação constante de ter areia da praia alojada na retina também se deve à dita cuja (da ansiedade). 

lembrar os mortos

Sonhamos com os mortos para matarmos saudades. Será?


Esta semana sonhei com o manel, na semana passada sonhei com o meu tio, sonho com alguma frequência com ele. Aqui há uns meses sonhei com a minha tia. Faz amanhã um ano que partiu.


Aqui em casa tenho pedacinhos dela, que me fazem sorrir e me deixam a casa mais colorida. Curiosamente, são coisas que ela tinha guardadas. Gostava de janelas fechadas e de divisões na penumbra, a minha tia. Escolho pensar que queria manter vivas as cores, não fossem elas ser comidas pelo sol. 


 


 

terça-feira, 21 de maio de 2024

47 and counting

Fiz quarenta e sete na quinta-feira passada.


Hoje, uns miúdos, sabendo que eu tinha feito anos, perguntaram-me "quantos anos fizeste, teacher?" e foram mandando palpites. "vinte e oito!" , "trinta!", "dezasseis!" - são tão totós, benza-os deus.


A resposta que lhes dei foi "digo-vos no fim da aula." Entretanto, esqueci-me e a aula acabou, estes sairam e deram lugar a outra turma.


Quando finalmente saí da sala, para me vir embora, encontro os primeiros a lanchar, que voltam a perguntar afinal quantos anos fizeste. Quando lhes respondi quarenta e sete fizeram um ar de espanto de boca aberta e, assim que me despedi bye bye e virei costas, ouvi-os dizer "ih! que velha!"


 


 


 

domingo, 5 de maio de 2024

respirar

As "coisas" não andam fáceis por aqui.


Há cerca de um mês, após uma aula de yoga que surgiu para compensar uma ausência da treinadora, dei por mim a procurar sessões de yoga no youtube.


Há cerca de um mês que quase todos os dias faço yoga. Se calhar, é uma afronta para os praticantes a sério ler isto, posso escrever que "há cerca de um mês dou por mim a seguir as instruções de uma instrutora de yoga e a praticar movimentos e poses, a respiração durante as diferentes poses e na mudança de pose para pose". Talvez seja menos insultuoso...


Há cerca de um mês que desenrolo o tapete e meia hora do meu dia é dedicado só a isso. A respirar, em posições que me esticam para lados diferentes ao mesmo tempo.


Escolhi uma instrutora, e são os vídeos dela que me acompanham, sem música, só o som da sua voz que vai dando as instruções, sugerindo alterações para quem quer ir mais além e para quem não consegue ir mais além e precisa de adaptações e os passarinhos, porque quase todas as sessões são gravadas ao ar livre, no meio de bosques.


Eu não sei se este "yoga" me vai salvar desta fase, mas que tem ajudado, isso tem. Já tinha lido muitos comentários de pessoas que choram durante a savasana e ontem dei por mim com as lágrimas a correr sentada em sukhasana. 


 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

adolescência

É sabido que a adolescência traz afastamento das crias.


Sabêmo-lo na teoria, aguardamos a sua chegada enquanto pensamos com os nossos botões que daremos conta dele, easy peasy ou piners, como dizia o outro.


O filho da mãe do afastamento, que às vezes até tem ali um vago cheiro de ódio misturado com desprezo, chega e cai-nos tudo. 


Damos por nós a apanhar os cacos das nossas ideias pré-concebidas, argumentando que é preciso relativizar, mas caramba! isto mói.  

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...