segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

o que não mata faz crescer

Comecei a ir à escola por volta dos três anos. Até essa idade tive uma ama que ainda hoje abraço sempre que a vejo nas ruas de Belmonte.


Do infantário tenho vagas recordações: a menina Carolina, de quem todos os meninos tinham medo, de meninas que davam beliscões e arranhavam, de ficar no refeitório vazio com o prato cheio de comida à frente, mas nada de especialmante traumatizante. Adorei a pré e a primeira classe, tirando a parte da matemática que logo aí começou a ser o meu pesadelo.


Depois mudámo-nos para o norte e ir para a escola deixou de ser agradável. Não fiz amigos e lembro-me de muito pouco: de um menino que logo no primeiro dia, sem me conhecer de lado de nenhum, me chamou cabra. E de as meninas não se misturaram com os meninos e de ter de me esconder na casa de banho para não ser apalpada nos intervalos.


Do ciclo não me lembro de nada, até ao nono ano lembro-me de ter sempre a matemática como principal inimigo. Depois, também pouco ficou. Não fiz amigos, apenas conhecidos.


Calculo que o percurso não teve nada de espetacularmente bom, ou lembrar-me-ia. Apesar disso, estou aqui. Sem traumas de maior, pelo menos ligados a essa altura.


 


Por isso, apesar de me ter custado horrores e de sentir que também a ela está a doer, muito, quero acreditar que a Gr, se não está bem agora na escola onde a arrancaram dos meus braços, há-de ficar e que o que não nos mata só nos fortalece.


 


 

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