Os filhos mexem com tudo: com o corpo, com as dinâmicas do casal, com as crenças que possuíamos, com as posturas, com o que gostaríamos de fazer e com o que somos forçados a fazer.
Mexem com a nossa sanidade mental. Nada nos prepara para o turbilhão de emoções que se segue ao parto, a começar pela ausência daquele amor incondicional que é suposto sentirmos assim que pomos os olhos no rebento e não sentimos.
Nada nos prepara para as noites mal domidas, para o cansaço que se acumula ao longo de meses, para mamas ingurgitadas, gretadas, para os conflitos novos que surgem por causa da criança, conflitos com o progenitor, connosco por não termos a certeza de estarmos a agir como deve ser, conflitos com avós por divergências de opinões no que toca à educação que se está a dar; nada nos prepara para ser pais e mães.
Constituir família e mantê-la unida, apesar das merdas todas que surgem, é o trabalho do século.
Educar uma criança de acordo com boas regras de conduta e princípios morais sólidos é difícil. Nada nos prepara para sermos constantemente postos à prova e questionados na nossa autoridade.
Como professora, posso demitir-me, posso não me chatear e virar as costas, posso passar por cima. Como mãe, jamais. E esta consciência, por vezes, pesa muito.
O que nos vai safando é a capacidade de rirmos de nós próprios e de sermos capazes de relativizar algumas situações.
God help me with this job!