quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

quem tem filhos tem cadilhos

Os filhos mexem com tudo: com o corpo, com as dinâmicas do casal, com as crenças que possuíamos, com as posturas, com o que gostaríamos de fazer e com o que somos forçados a fazer.


Mexem com a nossa sanidade mental. Nada nos prepara para o turbilhão de emoções que se segue ao parto, a começar pela ausência daquele amor incondicional que é suposto sentirmos assim que pomos os olhos no rebento e não sentimos.


 Nada nos prepara para as noites mal domidas, para o cansaço que se acumula ao longo de meses, para mamas ingurgitadas, gretadas,  para os conflitos novos que surgem por causa da criança, conflitos com o progenitor, connosco por não termos a certeza de estarmos a agir como deve ser, conflitos com avós por divergências de opinões no que toca à educação que se está a dar; nada nos prepara para ser pais e mães.


Constituir família e mantê-la unida, apesar das merdas todas que surgem, é o trabalho do século.


 


Educar uma criança de acordo com boas regras de conduta e princípios morais sólidos é difícil. Nada nos prepara para sermos constantemente postos à prova e questionados na nossa autoridade.


 


Como professora, posso demitir-me, posso não me chatear e virar as costas, posso passar por cima. Como mãe, jamais. E esta consciência, por vezes,  pesa muito.


 


O que nos vai safando é a capacidade de rirmos de nós próprios e de sermos capazes de relativizar algumas situações.


God help me with this job!


 


 

constatação (post muito pouco produtivo)

Quanto mais tempo livre tenho, menos faço.


Hoje, só consegui arrumar os quartos, apanhar e guardar alguma roupa e fazer o almoço da Gr, para a levar à escola, desde as 10.30 até agora.


Porque é que não consegui fazer mais nada de jeito? Beats me....{#emotions_dlg.nostalgic}

domingo, 26 de fevereiro de 2012

gr e mr.: mais apontamentos para memória futura

Maía, poque tás a chuá?


Mãe, a Maía tá a chuá. Maía, oia pa mim. Nu choua.


Maía, vem cá.


Maía, anda!


Maía, nu salta!


 


Mãããiiiii.... oia... uma coisa....


Mãããiiii queuo chopinha.


Queuo quesso. Queuo iogute. Queuo iete, quentinho. Chocate, queuo chocate. Dá agoz, spaiete, maçã, pão com manqueica...


 


Assim são as minhas manhãs e noites, com a Gr. em casa.


 


A Maria esteve calminha, enquanto estive fora na minha "digressão teatral". Com a minha chegada, chegaram as birras.


Felizmente, os avós cansaram-na e adormeceu num instante.


 


Está muito melhor no desenho, agora já se percebem as figuras humanas, mas continua a fazer o que eu chamo de muita chuva, riscos na página toda, mesmo por cima do que tiver desenhado.


Continua com atitudes que me tiram do sério, mas o problema é meu, que ainda não desenvolvi paciência e posturas corretas. Assumo isso, mas quando a rapariga me estica o dedo e fala comigo como se, de repente, os papéis se tivessem invertido, salta-me a tampa e passo-me dos carretos.


 


 


 


 


 


 

sinto-me parte de uma banda rock em digressão

Este mês, lá andei em bolandas com o grupo de teatro, todos os fins de semana. Corremos terrinhas de concelho de Paredes e este sábado fomos a Castelo de Paiva, onde fomos recebidos com bifanas e moelas, casa cheia e palmas de cada vez que uma personagem entrava em cena.


Em março rumamos a terras de Basto.


 


Gosto de fazer teatro. Gosto dos ensaios, desde o momento em que começamos a ler os textos até ao ensaio final. Gosto de pensar nas vozes, tiques, posturas das personagens que me cabem em sorte, de ir para casa, depois de cada ensaio, com a personagem vestida, de ficar acordada ainda com a excitação do que se fez, gosto do quase pânico antes da entrada em cena, da adrenalina durante e depois. Não tenho frio, sede, fome, tenho apenas vontade de entrar o mais depressa possível, para acabar com aquela ansiedade maluca e depois deixar o texto e as marcações fluirem, como se não fosse eu que ali estivesse.


Gosto de estar lá atrás, enquanto os outros atuam e sofrer com as falhas que ocorrem ou regozijar-me quando tudo correu bem e todos juntos contámos uma história.


Gosto dos aplausos e de ver o público de pé, espontaneamente, porque vibrou com o que viu, como nós vibrámos em cima das tábuas.


Gosto muito.


 


 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

doc martens

Isto tem estado parado, sim, eu sei. Mas olho para o teclado e para o écran do computador e nada me ocorre.


Sofro de uma doença crónica, que perturba muito os meus dias: insatisfação permanente!


Perante estes dias fantásticos que nos têm saído na rifa, perante este sol maravilhoso e este calor abençoado, só consigo pensar que não é tempo de nada disto, que devia estar frio e chuva, que assim é que era normal.


Eu é que não sou definitivamente normal!


 


A prová-lo está o facto de estar de doc martens calçadas. Tenho 34 anos, a caminhar para os 35! (sim, pai e mãe, 35)


 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Para efeitos posteriores

Este ano, tivemos uma Alice no País da Maravilhas (Mr.) e uma bailarina do Soldadinho de chumbo (Gr.)


 


A Mr levou uma saia e uma camisola, com umas mangas de balão que a sogra fez, juntamente com um aventalinho branco. Pedimos ao R. (artista plástico) que fizesse uma chave (que ajudasse a decifrar que raio de vestimenta era aquela) e antes de sairmos de casa pus-lhe um arco (tb conhecido por bandolete) na cabeça.


 


A Gr levou um fatinho de ballet cor de rosa, tentei pôr-lhe um gancho (tb conhecido por travessão) na cabeça, mas isso já era de mais.


 


E lá foram elas. Para a escola, que de resto não faço tensões de me preocupar com o que chamam de carnaval.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

post altamente produtivo e fruto de meia garrafa de tintol com 14 graus

Parece que temos, nós mulheres, de aceitar, de uma vez por todas, que os homens têm uma visão e audição altamente seletivas.


Pedimos-lhes que arrumem a cozinha e os gajos cinco minutos depois chegam todos contentes ao pé de nós e dizem: estás a ver, arrumei a cozinha em cinco mns, coisa que tu costumas demorar uma hora.


Vamos verificar e vemos que a loiça da refeição: pratos, talheres e copos desapareceu e que o resto foi tudo enfiado dentro da banca. Panelas, fogão e bancadas, para já não falar do chão, não estão incluídos nos itens a limpar da cozinha. Visão seletiva!


 


Pedimos-lhes que ponham a roupa a lavar, tendo já selecionado o programa e os gajos só ouvem "ligar a máquina da roupa". Quando chegamos a casa, a máquina está a lavar, sem roupa lá dentro e sem detergente, mas está ligada, tal como pedimos. Audição seletiva!


 


É com estes pensamentos que tenho, nos últimos tempos, tentado lidar com o facto de viver com a maior nulidade doméstica à face da terra. Concentrar-me no que o gajo realmente faz e regozijar-me: paga as contas, trata do jardim, da garagem, mete a loiça na máquina e às vezes ajuda no banho e na hora de deitar das miúdas.


Não posso continuar a concentrar as atenções no que não faz. Sim, apetecia-me imenso enumerar o que não faz, tal como enumerei o que faz, mas fico por aqui.


 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

atualizações parte 7877677657585

O que tem acontecido por aqui:


passámos o fds no norte, sem pai, porque tive espetáculo das Bodas de sangue numa terrinha (Cête) e o pai ficou por cá a trabalhar.


A Gr e a Mr andam sempre pegadinhas, a gr repete tudo o que a mais velha diz e faz. É disparate a dobrar, gritos, choros e gargalhadas em stéreo.


Não tenho tido tempo para limpar nada, a casa está atolada em pó e cotão que se acumula pelos cantos. Dou por mim a deixar a gr. sozinha numa divisão para poder arrumar outra em sossego, quando sei que tal significa que a seguir tenho de ir arrumar a divisão onde a deixei sozinha, porque ela despeja gavetas, prateleiras, espalha migalhas, enfim alegria.


 


Ando às voltas a pensar no que hei-de vestir às miúdas no carnaval, nos pormenores que fazem a diferença, porque não compro fatos. Penso no que tenho por casa e como posso adaptar e há sempre coisinhas pequeninas. ODEIO O CARNAVAL!


 


No próximo fds vamos novamente sozinhas para o norte, porque desta vez tenho espetáculo em Castelo de Paiva. Mais uma vez a casa vai ficar por arrumar.


 


E agora, vou fazer de conta que tenho mais que fazer do que andar por aqui e vou arrumar a pilha de roupa lavada que está aqui à minha frente. Já vos disse que não passo a ferro?


 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ai que eu sou tão sensível mas não me peçam para sacrificar as minhas necessidades!

As cenas estão todas à frente do nariz, é só deixar de olhar para o próprio umbigo por meio minuto. Mas há quem seja incapaz de o fazer. Depois, apesar de tudo, eu é que passo por ser a insensível!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Delegar tarefas e o resultado

Ontem, deixei nas mãos do gajo a tarefa de deitar as miúdas. Estava ele a prepará-las para se deitarem, estave eu a vestir o meu pijama. Meti-me na cama com a "A anatomia dos mártires", do João Tordo e deixei-me ficar. Fui ouvindo chorinhos, berrinhos, chamamentos, etc. mas deixei-me ficar. Não era nada comigo.


Por volta das 23h vem a mais velha enfiar-se no meio das minhas pernas, onde adormeceu. Às meias-noites e tais fui buscar a mais nova que estava na cama às voltas, num chorinho interminável. Resultado: acabei com as duas na cama, embora só tenhamos depois ficado três, pai, mãe e mais nova, porque a mais velha, depois de adormecer é um tijolo, podemos fazer dela o que quisermos e voltou, ao colo do pai, para a sua respetiva cama.


 

ranho

Nos últimos dias há ranhoca onde a Gr. passa. Há ranhoca em todo o lado! Fábrica de fazer ranho: tenho uma em casa.


Se ranho fosse dinheiro, eu estava rica só à conta dela.


E prontes, para post matinal não está mal.


 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Nasceu a M.

Nasceu a bebé que até agora é o que mais parecido tenho com uma sobrinha! Custou, mas está cá fora.

Trocas e baldrocas

Pois que estive sem trabalhar, após me "despedir" das AECs, apenas na segunda feira, porque na terça recomecei.


Eu explico: larguei um horário de sete horas, em 3 escolas diferentes, uma delas a mais de 30kms de casa. Aceitei um outro horário, de 8, com possibilidade de se lhe juntarem mais duas, todas na mesma escolinha, a 15kms de casa. E a empresa começou a pagar aos professores.


Gentes da minha terra que tendes filhos nas AECs onde os profs são contratados por empresas, é assim que a coisa se cose. Trocas e baldrocas, lixam-se os putos, que conhecem 3, 4, 5 profs de inglês no mesmo ano, estando às vezes semanas sem aulas; lixam-se os profs que ganham mal e têm de andar sempre à cata de migalhas; as escolas; as funcionárias que têm de arranjar maneiras de distrair os miúdos....


  

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Se pudesse...

hoje implodia com o autista que vive nesta casa e com a avestruz que mora dentro de mim. Se bem que essa de que a avestruz enfia a cabeça na areia é um mito, não urbano, mas da selva, ou seja lá de onde houver avestruzes.


 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Gabriela: a ser mãe há quatro anos e meio

Está quase a fazer dois anos que nasceu a Gr. E quando penso no nascimento da mais nova, vem-me logo à memória o da mais velha. Foram tão diferentes como a água do vinho, tirando o facto de ambas terem nascido de cesariana.


A Gr. veio ao mundo com a mãe acordada e relativamente calma. O facto da miúda ter começado a chorar quando ainda estava dentro da mim, o que pôs toda a equipa a rir à gargalhada, ajudou muito.


 


A Mr. nasceu de cesariana de urgência, com anestesia geral. Quando acordei, fui levada para a sala de recobro e ninguém me sabia dizer o que tinha acontecido. Meia zombie, coloquei a hipótese de que teria morrido e fiquei ali, sozinha. Não sabia se devia começar a fazer o luto da minha filha ou se devia esperar que me viessem dizer que estava tudo bem. Passado o que me pareceu muito tempo, veio o M. Estava tudo bem. Tinha sido reanimada e estava na incubadora porque era muito pequenina.


 


Só a vi no dia seguinte. E não senti o que na minha cabeça devia ter sentido. O instinto de proteção apareceu num ápice, mas foi aquele instinto que toda a gente mais ou menos normal sente perante todos os seres indefesos, não foi um amor logo ali incondicional! Esse foi aparecendo gradualmente, e só depois de ela ter saído do hospital, quando já era só minha filha e não filha das enfermeiras e médicos e dos fios e bips bips das máquinas.


 


Esse amor foi crescendo todos os dias, ao ponto de, mesmo debaixo de uma depressão pós-parto, eu ser capaz de discernir que estava apaixonada, como nunca antes estivera, por ela.


 


Com a Gr. aconteceu o mesmo. Só que a parte do sair cá para fora foi bem mais fácil!


 


 


 

mais um pom pom pom

 Os gajos vão de facto buscar parcerias improváveis! A Gr, que é fan dos duetos todos, ficou em estado catatónico!


 


domingo, 5 de fevereiro de 2012

suicidem-me!

.... criei uma página no facebook, para conseguir falar com a minha prima, de quem gosto como de uma mana mais nova, que está em Bruxelas. Se isto não é gostar, então não sei o que é!


 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Untitled

Ontem foi o último dia de aulas nas AECs. Sweet sour.


Se calhar, para mim, esta era a forma ideal de trabalhar: um mês a bulir, um mês de férias. Para mim e para muita gente. Senti-me produtiva, empenhada, a gostar de trabalhar.


E a malta lá de cima a aumentar o nº de horas de expediente, as horas extraordinárias, a reduzir os tempos de descanso, as férias, a diminuir remunerações....


Lembro-me de ter estudado nas aulas de Relações públicas, que tive no 10º ano, que quanto mais satisfeito andasse o proletariado (não lhe chamavam assim, claro!), mais trabalhava e mais produzia.


Esta gente que faz as leis está a regredir, a deitar ao lixo teorias já muito estudadas e comprovadas. Se isso não é burrice não sei o que é.


Outra coisa: um país onde não se protesta porque se tem medo de perder o emprego, mesmo quando há razões para protestar, não é um país democrático. Um país onde se é obrigado a passar um recibo verde antes de se receber, é um país de merda.


 


 


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

pela vizinhança II

Os boxers que ontem ficaram pendurados no corrimão da escada ainda lá estão.... O que é que isso quer dizer? Ups....

panela de pressão

A pressão para eu fazer ou deixar de fazer alguma coisa dá cabo de mim. Desorganizo-me, irrito-me comigo e com os outros, principalmente os que estão mais próximos de mim e não têm culpa de nada, dá-me vontade de partir coisas!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

pela vizinhança

Tenho vizinhos estranhos.


Por cima, uma senhora divorciada, desempregada e com três filhas, sempre impecavelmente arranjada. Simpática, mas estranha, nitidamente deprimida, vive não sabemos de quê. Uma vez, estava eu a estender a roupa das miúdas, e ela meteu conversa. Comentou o facto de os filhos serem a razão de viver dos pais e como podem ser mal agradecidos. Tive a certeza de que falava das próprias filhas.


 Terminou aconselhando-me a não fazer a minha vida girar à volta das miúdas e ofereceu-se para fazer babysitting.


Até aqui tudo bem, o problema é que ela é a principal suspeita de riscar, por três vezes, não apenas uma, mas três, o carro de um vizinho, dentro da garagem.


 


Também por cima, do outro lado, uma rapariga, chamemos-lhe assim, que é tão tímida, tão tímida, tão tímida, que nunca sai de casa, quando passa por algum vizinho, corre para não ter de passar e cumprimentar. Esconde-se dentro do carro se vir que pode vir a ser cumprimentada com um simples bom dia ou boa tarde.


Quando alguma coisa cai da varanda dela para o meu terraço, eu já sei que se não sou eu a subir as escadas e deixar o que caíu à porta, é certo e sabido que ela não vem reclamar.


 Ainda hoje, abro a porta do terraço e dou com um par de boxers verdes caídos no chão. Só havia dois destinos possíveis: lixo ou pendurá-los à porta dela, que foi o que fiz. Com a ponta dos dedos lá agarrei neles, subi as escadas e pendurei-os no corrimão, no preciso momento em que a outra vizinha abre a porta para sair.


 


Mesmo à minha frente outro casal de tímidos, que corre para não ter de dizer bom dia ou boa tarde. Depois de falarmos com eles são impecáveis, já jantámos juntos, as nossas miúdas brincam com a deles, trocamos receitas e vegetais da horta, mas não deixa de ser estranha esta recusa em cumprir com os simples rituais de contacto interpessoal.


 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...