Tenho vizinhos estranhos.
Por cima, uma senhora divorciada, desempregada e com três filhas, sempre impecavelmente arranjada. Simpática, mas estranha, nitidamente deprimida, vive não sabemos de quê. Uma vez, estava eu a estender a roupa das miúdas, e ela meteu conversa. Comentou o facto de os filhos serem a razão de viver dos pais e como podem ser mal agradecidos. Tive a certeza de que falava das próprias filhas.
Terminou aconselhando-me a não fazer a minha vida girar à volta das miúdas e ofereceu-se para fazer babysitting.
Até aqui tudo bem, o problema é que ela é a principal suspeita de riscar, por três vezes, não apenas uma, mas três, o carro de um vizinho, dentro da garagem.
Também por cima, do outro lado, uma rapariga, chamemos-lhe assim, que é tão tímida, tão tímida, tão tímida, que nunca sai de casa, quando passa por algum vizinho, corre para não ter de passar e cumprimentar. Esconde-se dentro do carro se vir que pode vir a ser cumprimentada com um simples bom dia ou boa tarde.
Quando alguma coisa cai da varanda dela para o meu terraço, eu já sei que se não sou eu a subir as escadas e deixar o que caíu à porta, é certo e sabido que ela não vem reclamar.
Ainda hoje, abro a porta do terraço e dou com um par de boxers verdes caídos no chão. Só havia dois destinos possíveis: lixo ou pendurá-los à porta dela, que foi o que fiz. Com a ponta dos dedos lá agarrei neles, subi as escadas e pendurei-os no corrimão, no preciso momento em que a outra vizinha abre a porta para sair.
Mesmo à minha frente outro casal de tímidos, que corre para não ter de dizer bom dia ou boa tarde. Depois de falarmos com eles são impecáveis, já jantámos juntos, as nossas miúdas brincam com a deles, trocamos receitas e vegetais da horta, mas não deixa de ser estranha esta recusa em cumprir com os simples rituais de contacto interpessoal.
Estranhos e tímidos!
ResponderEliminarA minha vizinhança, é mesmo aquela típica vizinhança, para o bem e para o mal. Tem vantagens e desvantagens. Tanto podem ser simpáticos e prestativos já que nos conhecemos uns aos outros, como podem opinar sobre a nossa vida ou falar dela aos outros, como quem não tem mais nada que fazer ou vida própria com que se preocupar. Mas com esses posso eu bem!
Dá Deus nozes... a quem acha isto estranho! Estava a ler isto e a pensar "devem ser tão caladadinhos..........................."
ResponderEliminarEu moro num prédio de selvagens! De gente que não dorme e arrasta móveis durante a noite. De gente que se embebeda e fala tão alto, que se ouve 2 andares abaixo. E por aí fora...
Também preferiria desses caladinhos. É verdade que no meu prédio há de tudo, mas, no fundo, as pessoas até são simpáticas e prestáveis. O problema é a mulher que vive mesmo por cima do nosso apartamento, que, para além de ser estúpida, tem um cão ainda mais estúpido (e eu adoro cães), que ladra a toda a hora e desconfio que este mesmo bicho, de vez em quando, também mude móveis durante a noite! Sim, porque não sei mais que barulho todo possa ser aquele tanto às 2h como às 6h da manhã! E pior, a mulher está em casa e não faz nada! Há dias em que me apetece +*"$%&(=)(/&*ª!
ResponderEliminarEm relação ao post anterior, espero que os ânimos já estejam mais animaditos por aí!
Bjcs gds!
Não o silêncio que me incomoda, é o pormenor de fazerem de conta que não veem ou correr para não ter de se cruzarem com que vai passar.
ResponderEliminarAhah! Aqui até os cães são caladinhos!
ResponderEliminarTodos os outros cães do prédio são caladinhos, menos o que mora por cima de nós (que sorte)! Até o cão que se atirou do 3º andar, da janela para o chãozinho em paralelo, é caladinho! (E sim, sobreviveu!)
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