quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

vergonha

Fui.


Para ver o que acontecia.


Sem saber o que iria fazer.


A dois minutos do início decidi que não entraria na sala. Um antigo colega do M. que estava a acompanhar a namorada, que também ia fazer, puxou-nos para a entrada, colegas do quadro daquela escola incentivaram-nos, "nunca se sabe, vão, vão". Nós fomos, autómatas.


Entrei na sala faltava um minuto para terminar a tolerância de atraso. Sentei-me e perguntei se todos íamos fazer aquela merda. Pediram-me dignidade!


Dignidade a quem trabalha há 12 anos e se vê forçada pelas circunstâncias a fazer uma prova que nada prova.


 


Fiz a prova, estive dentro daquela sala, vigiada por colegas, e o tempo todo só senti vergonha. Vergonha por mim, por não ser capaz de não a fazer, vergonha pelos colegas na mesma situação, vergonha por aquelas "colegas" que nos vigiavam, como se fôssemos alunos a fazer um exame nacional.


Vergonha!


 


 


 

3 comentários:

  1. Sabes que não digo palavrões, mas Portugal está mesmo uma merda! É desumano o que estão a fazer aos professores! Desumano!

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  2. Esta PROVA prova algo, sim senhor.
    Prova que vivemos num país de experiências com resultado nulo, de burocracias, de incongruências. Vivemos num país em que uns tentam "lixar" os outros. Vivemos num país que acredita que mais vale fazer algo, mesmo sem sentido, só "para inglês ver".

    No momento de crise que o país atravessa, preocupam-se com isto.

    Talvez seja para dizer que em 2014 a lista de professores não colocados é bem menor, porque, como eu, muitos professores não realizaram a dita prova, pelos mais diversos motivos, incluindo a certeza de que tão cedo não seriam colocados (e então fazê-la para quê?).
    Logo, na cabeça dos "iluminados" no poder, a equação é bem simples:
    número de professores opositores ao concurso de 2013/14 MENOS número de professores que não fizeram a prova (e como tal não podem concorrer ao concurso) IGUAL a "já posso vir para a televisão dizer que há menos professores no desemprego".

    Não sei se isto é bem uma equação. Afinal não fiz a prova e é natural que os meus conhecimentos matemáticos necessitem de ser reavaliados e validados.
    Afinal, sou apenas uma professora de inglês.

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