Senta-te aqui, que vou-te contar
Vou-te contar que desde meados de setembro somos três à mesa e, às vezes, por força do hábito, ainda ponho quatro pratos
está certo que tivemos duas experiências curtas sem ela, mas agora é diferente
somos três à mesa, a roupa para lavar diminuiu, a confusão no quarto dela também...
somos três porque a mais velha entrou na faculdade
deixou os tachos e as panelas e virou-se para as línguas
regressa a casa ao fim de semana, mas vêmo-la pouco, que há amigos para apanhar e namorados para beijar
vou-te contar também que agora, cá em casa, somos todos clientes de psiquiatras e "dependentes" de alguma espécie de psicotrópico
fui a última, mas já cá corre no meu sangue há cerca de duas semanas
a sensação constante de ansiedade estava a deixar-me (agora paro de escrever, porque não sei descrever o que essa sensação constante de ansiedade me estava a fazer e continua, porque duas semanas não são nada) de rastos (fica assim).
A esta sensação juntemos-lhe uma irregularidade emocional, que eu achava que era fruto da mudança da idade, facilmente solucionável com a terapia de substituição hormonal (não, não resolveu....)
no fim da consulta de psiquiatria entrei em curto-circuito.
Acho que o meu corpo sentiu necessidade de mostrar ao cérebro que eu tinha mesmo de tomar aquilo que o médico tinha receitado. Ataques de choro, momentos de apatia, entremeados por momentos de razoável normalidade, durante os quais fui empurrando os dias com a barriga (foi um fim de semana horrível).
vou-te contar que não sinto, ainda, nada de especial, fruto do dito remédio
estes são tempos estranhos para se estar vivo
tenho acompanhado com muita emoção todas as manifestações por essa Europa fora e as nossas e sinto assim um frisson, misturado com pena de viver tão longe dos locais onde elas estão a acontecer
aqui, nem as greves que têm todas as razões para acontecer acontecem.
chega, já contei de mais
Um abraço.
ResponderEliminar