terça-feira, 31 de janeiro de 2012

sinto-me

Queria escrever alguma coisa; há vários assuntos aos quais posso dar cobertura: a decisão dos profs de inglês nas AECs de pararem de trabalhar se não recebessem até hoje, o cancelamento das emissões de um programa de rádio da Antena 1, por coincidência após uma crónica radiofónica sobre Angola;


decidir se continuo a trabalhar ou não, caso os outros profs decidam continuar, as consequências que daí advêm; as más notícias constantes relativas à PÔRRA da crise.... 


 


Mas não me apetece. Se eu fosse um cão, a minha cauda andaria entre as pernas ou a arrastar pelo chão. Na rua, sinto-me a caminhar com o ombros caídos. Sinto-me sem esperança.


Sinto que este país está num buraco sem fundo e gostava de saber o que fazer para combater a situação.


Sinto-me num beco sem saída. Lamento, às vezes, ter trazido ao mundo duas crianças, porque não sei o que elas vão ter de enfrentar, mas receio que seja o pior.


 


Pronto, para deprimir quem me lê já chega.


 


 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Untitled

Tenho a seguinte teoria: os loucos e loucas deste país vêm conduzir para o IC2.


 


Há os camionistas que se agarram à traseira do carro que está à frente e pressionam para que se aumente a velocidade, mesmo quando o limite é 80 ou menos, há os loucos que ultrapassam em cima de curvas, há os que não passam dos 40kms/h mesmo que se possa andar a 80 e, finalmente, créme de la créme, os idosos que, por andarem tão devagar como uma tartaruga, decidem ir conduzir para a berma, mas com o pisca esquerdo sempre a piscar, como que dizendo "a qualquer altura volto à estrada, só não sei bem quando", pondo em risco pessoas ou ciclistas que, descansados, circulam nas bermas.


 


 


 

Há coisas que não posso ser eu a dizer

Não posso ser eu a dizer-te que preciso de ti,


não posso ser eu a dizer-te que preciso da tua ajuda nas tarefas diárias,


não posso ser eu a dizer-te que as desculpas de que pagas as contas e tratas do jardim e da garagem não contam porque pagas as contas uma vez por mês e tratas do jardim e da garagem duas vezes por ano,


não posso ser eu a dizer-te que não sei se saberei lidar com a tua falta de parceria a nossa vida toda,


 


não posso ser eu a dizer-te porque já estou farta de o dizer.


Vou fingir que lês o blog e que este post fará diferença.


 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

atualizações parte 7877677

Hoje não fui trabalhar. O carro, que já andava a avisar, hoje não pegou. Bateria nova!


 


As gajas ficaram comigo, o dia todo. Andam as duas adoentadas, com uma tosse chata e a Mr. está a tomar antibiótico para uma suposta amigdalite. O que é certo é que não tem dores de garganta, nem febre e tosse muito, principalmente à noite.


Não domiram a sesta, fartaram-se de fazer disparates e agora à noite estavam as duas com uma telha de se lhe tirar o chapéu. Ainda houve tempo para ouvir um "quero tomar o antióquio".


 


As aulinhas vão correndo e encontro-me agora num dilema: não quero coletar-me novamente, os meus colegas continuam sem receber, fui contratada pela coordenadora dos agrupamentos escolares onde dou aulas, que entretanto se demitiu do cargo de coordenadora e chego à conclusão de que a empresa para a qual trabalho não sabe da minha existência. Continuo com isto sabendo que não receberei um chavo e entretanto arranjo maneira de contactar com a empresa que fica em Samora Correia ou acabo de vez com isto?


 


 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

é estupidez genética ou de género?

Lista de compras. Não especifiquei que o detergente da roupa era líquido (embora seja apenas o que se usa cá em casa), que o champô não era 2 em 1 (ninguém usa 2 em 1 cá em casa), que a polpa de tomate devia ser em pacotinhos (uma garrafa de 1L estraga-se porque não se consome assim tanto) e que a pescada congelada devia ser para fritar.


 


Chegou a casa com detergente em pó, champô 2 em 1, um litro de polpa de tomate e pescada para cozer.


 


Pergunta: é de propósito para não voltar a pedir que vá ele às compras, é estupidez genética ou estupidez de género (masculino)?


 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

glamour

Depois do post sobre a desarrumação que vai por esta casa e do comentário trocatintiano, senti-me depré.


Fui ao guarda-vestidos, saquei de um que levei ao casamento do B. e da X. que estão em Espinho, e, aproveitando o facto de estar de saia, vesti-o por cima da camisola interior. Fui para a cozinha e comecei a fazer o jantar.


 


Senti-me melhor. Trouxe um pouco de glamour à minha vida.


 


 

solidariedade

À minha frente um monte de roupa para dobrar e guardar, mais um estendal para apanhar. A mesa onde me encontro cheia de papelada, brinquedos e cds.


No chão ali à frente brinquedos das miúdas, migalhas de bolacha, um par de meias (que raio têm os putos contra andar calçados?) e outro de sapatilhas. O pó espalha-se por todos os móveis. Na cozinha, um jantar para fazer, um chão para lavar, um frigorífico para limpar.


Não me atrevo a continuar. São efeitos secundários de estar a trabalhar, ainda que apenas com um horário de sete horas. 


 


No entanto, para cumprir esse horário tão pequeno e tão pouco lucrativo, estou fora de casa todos os dias das 14.30 às 18.30. 


Sinto-me a fazer, outra vez, as coisas pela metade. Para cúmulo, tenho uma cara metade que arranja sempre maneira de se safar de ajudar. Qualquer dia, ou rebento ou.... rebento!


 


 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

terraplenagem

Às vezes esqueço-me de que tenho um pai que estudou e ensinou a nossa língua muitos anos e que esse pai lê este blog. Parece que a palavra terraplanagem não existe! É terraplenagem! Seja, andam a tentar terraplenar o nosso país.


 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Portugal

O que Portugal tem de bom.


Depois de um post sobre dar o salto, nada mais irónico do que um post sobre o que pode manter o pessoal cá dentro.


O vinho, maduro claro, que o verde é bom só de vez em quando.


O queijo, da serra, de Azeitão, o amarelo, o de cabra que se faz por todo o país, destacando o de Trás os Montes.


As cidades pequenas, acolhedoras, e onde ainda se pode andar a pé para todo o lado, como Aveiro, por exemplo.


 


E, após uma pausa de mais de um minuto para pensar em outras coisas, páro por aqui. Não consigo encontrar mais nada.... Mas isto é hoje. Amanhã seria, quero pensar assim, diferente.


 


 


 

arrumações

A Gr. está a arrumar a gaveta das cuecas da Mr.


Vestiu, entretanto, umas quantas no braço e outras nas pernas. Já arrumou para cá para fora as meias todas. É tão linda, a minha filhota mais nova!


 

Dar o salto

O meu irmão mais novo já foi;


o mais velho está a ponderar seriamente a questão;


a coordenadora com quem estou a trabalhar está a pensar nisso;


a colega que está a dar aulas em Torres Vedras, e tem o marido em Aveiro, está a avaliar a hipótese;


nós já falámos nisso, embora sem ser muito a sério.


 


E como nós muitas mais pessoas.


Dar o salto para fora deste país.  

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

carneirada

Aqui há uns tempos li aqui http://www.macacos.com/2011/11/ este texto. Não sou nenhuma maluca da conspiração, mas na altura fiquei a pensar no que li e parece-me que, dado o que vai acontecendo, não só no nosso país como no resto do mundo, o sr. tem toda a razão.


 


Gosto especialmente do conceito de terraplanagem. Estamos a ser terraplanados por países que não estão minimamente preocupados com a nossa sobrevivência, por grupos económicos cuja única preocupação é o lucro, às custas de tudo e de todos. Escolhemos quem nos governa, mas isso já não interessa nada porque as pessoas que nos governam são marionetas nas mãos de outros e limitam-se a implementar medidas troikianas, que vão apenas manter-nos em dívida permanente.


Se isto não é perda de soberania, então não sei o que é.


 


 E hoje li este http://www.macacos.com/2011/11/ e volto a concordar com o sr. E também me incomoda o facto de assistirmos a tudo sem fazermos nada.


 


 

gr. na creche

Criei este blog com o objetivo, entre outros, de ir registando coisas dignas de registo no que às filhas diz respeito. Ah e tal, quem é que dizia chocate em vez de chocolate ah e quem é que dizia gelim gelóstico em vez de jardim zoológico? Vamos conferir no blog, ah, pois era a Gr. ou era Mr.


E olhem pra isto, as gajas têm tido um tempo de antena tão curtinho....


Serve este intróito para dizer que a Gr., após uma semana de creche, já não teve de ser arrancada do meu colo. Hoje consegui pousá-la no chão e vi-a entrar na sala de livre vontade. O choro só começou quando virei costas para pendurar o casaco. Mas há aqui efetivamente uma melhoria. Já lanchou e até brincou com os outros putos.


Estou contente!


 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Aventuras no reino do desemprego e do trabalho precário II

Nem sei bem que escreva por aqui....


No trabalho (AECs) vai uma confusão tremenda, tendo em conta que os professores tinham decidido não trabalhar a partir do dia de ontem se não recebessem. Não receberam, mails para cá, mails para lá, trabalhamos mais e vemos o que acontece, não trabalhamos mais e quem o fizer está a voltar com a palavra atrás, cambada de traidores e pititipititititittititipitipi......


 


Eu, no meio do rebuliço.... não tenho salários em atraso, só quero o tempo de serviço, não sabia para onde me virar.


Reunião com o pres. da câmara, pontos nos is....Afinal de quem é a culpa? Das empresas, que são uma desorganização total, das câmaras que estão-se borrifando. Pres. decide fazer tudo o que estiver ao seu alcance para acelerar processo de pagamento, deixando bem claro que há protocolos sobre os quais não pode passar por cima...


 O pessoal decide voltar ao trabalho até ao final do mês e ver o que acontece a seguir.


Assim se faz política, assim se trabalha sem receber.


 


 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

degradação cultural das gerações vindouras

O meu M. defende a teoria de que tudo o que é "lixo" em termos musicais entra nesta casa pela via materna, isto é, por mim. Foi comigo que a gajas mais pequenas dançaram o waka waka e o Loca da Shakira, o staying up all night dos Buraka, a dança do tubarão e outras coisas assim que dão efetivamente para dançar e divertir. Caramba, não vou pôr a gajas a ouvir Josh Rouse ou Lori Carson para elas dançarem!


 


No entanto, ontem, quando passava os olhos por uma blog que leio com frequência, A pedagogia do terror, dei com os olhos num link associado a forró. Curiosidade matou o gato, fui espreitar. Era uma música que parece que anda aí desde o verão, mas que eu ainda não conhecia. Qual não é o meu espanto quando a Mr. começa "Nossa, nossa assim você mi mata, ai ai ai si eu tchi pego.... " e por aí fora.


Mr., onde aprendeste isto? pergunto eu.


Resposta da garota: foi a Al. (amiga da escola). Ela ensinou-me.


 


Toma, M. Afinal não sou eu exclusivamente responsável pela degradação cultural das nossas filhas. A escola e a socialização estão a cumprir o seu papel.


 


 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Os homens que odeiam as mulheres

Quando o meu irmão P. mo passou para a mão disse: olha que ficas agarrada. Não vais conseguir parar de ler.


Pensei com os meus botões: sim, pois, como se não tivesse mais nada para fazer, nem roupa para lavar, nem filhas para cuidar, nem casa para limpar, nem refeições para cozinhar....


As primeiras trinta páginas foram lidas à noite, antes de me deitar. Agora, desde ontem, já li mais de metade, nos intervalos da arrumação da casa, nos intervalos das filhas, nos intervalos das refeições...


Não consigo parar de ler.


 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

dúvidas existenciais

Posso censurar uma pessoa e ficar chateada com ela se preciso que ela faça algo por mim, mas a ela nem lhe passa pela cabeça que eu preciso?


Tenho o direito de me sentir magoada, de pensar: pôrra, agora que eu precisava que tu me fizesses isto, tu nem te dás conta e vais fazer outra coisa?


O problema deve ser meu. Se eu não digo que preciso, as pessoas não têm de adivinhar.


Mas e se essas pessoas andam sempre a proclamar a sua sensibilidade e olhar atento aos outros? Já posso?


 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

uma pergunta

Somos só nós cá em casa que ainda temos árvore de natal montada?

post para maiores de trinta

E quando, de repente, a meio da tarde, sentes uma tristeza repentina e um peso nos ombros, isso é....


TPM! (não, não é impulse).

do trabalho II

Às quartas e quintas conduzo 35 mns, dou uma aula de 45 e volto a conduzir 35. 


Passo mais tempo na estrada do que a trabalhar. 

pensamento do dia (de ontem)

Ontem, a caminho da escola onde ia dar aulas, surgiu-me o seguinte pensamento: estamos em 2012.


Há dez anos que sou professora. E a coisa, em vez de melhorar, piora.


 


Assim se faz poesia.


 


 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

quarenta e cinco minutos

Quarenta e cinco minutos dão para ouvir a música do hello, cumprimentar, com milhões de interrupções pelo meio para receber mil informações necessárias e desnecessárias (titcha, hoje o Manel faz anos; titcha, hoje deram-me um cromo do Cristiano Ronaldo, titcha a nossa professora deixou-te um recado....)  para fazer a chamada, escrever o nome numa folha A4 para pôr na secretária e.... ouvir a música de goodbye.


 

do trabalho

Tenho montes de papelada para preencher, mas vou ali tomar um café para ganhar coragem e alento. Ai santa burocracia!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

descobertas

Mãe, quando eu morrer desapareço?


Como?


Quando eu morrer deixo de aparecer? Ninguém me vê?


 


(glup)


 


M.! Anda cá responder a uma dúvida da Mr.


 


Consternação... mais do que medo foi o que senti.


 


Eu só comecei a pensar na morte aos sete! lembro-me perfeitamente. Estava a fazer a minha cama, numa manhã normal e dei por mim a pensar que se era costume as pessoas morrerem, o mais certo era que eu também viesse a morrer mais cedo ou mais tarde. E, durante uns meses, andei angustiada com a descoberta, a da minha mortalidade.


A minha filha mais velha é precoce.


 


 

Para que conste...

hoje consegui chegar à escola.


Putos de 1º e 2º ano. Putos que não sabem ler nem escrever. Putos que não sabem estar sentados.


Coordenadora simpática, claro! Chama-se Gabriela! Fez um tour da escola, apresentou-me as professoras titulares e até estava disposta a deixar-me assinar o sumário de ontem, se não me tivesse já marcado falta. Afinal, corri estradas e estradinhas à procura da escola e merecia ganhar o gasóleo que gastei. Não foi possível....


 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

vida de prof. itinerante

Segundo dia de aulas. Correu bem, tirando o facto de não ter encontrado a primeira escola onde era suposto ir e ter chegado com dez mns de atraso à segunda, onde levei uma escovadela de uma encarregada de educação. Ora toma que é práprenderes!


 

o Variações é que sabia...

Quando na sexta feira passada sugeriram que levasse a Gr. da manhã para a adaptação ser mais fácil, interiormente pulei de alegria (iuuupi, vou ter tempo para organizar uma data de coisas, vou poder tomar a bica matinal descansada).


Agora, pareço um cão sem dono. Barateio pela casa e não faço nada de jeito. Falta-me o meu porta-chaves agarrada às minhas pernas....  

o que não mata faz crescer

Comecei a ir à escola por volta dos três anos. Até essa idade tive uma ama que ainda hoje abraço sempre que a vejo nas ruas de Belmonte.


Do infantário tenho vagas recordações: a menina Carolina, de quem todos os meninos tinham medo, de meninas que davam beliscões e arranhavam, de ficar no refeitório vazio com o prato cheio de comida à frente, mas nada de especialmante traumatizante. Adorei a pré e a primeira classe, tirando a parte da matemática que logo aí começou a ser o meu pesadelo.


Depois mudámo-nos para o norte e ir para a escola deixou de ser agradável. Não fiz amigos e lembro-me de muito pouco: de um menino que logo no primeiro dia, sem me conhecer de lado de nenhum, me chamou cabra. E de as meninas não se misturaram com os meninos e de ter de me esconder na casa de banho para não ser apalpada nos intervalos.


Do ciclo não me lembro de nada, até ao nono ano lembro-me de ter sempre a matemática como principal inimigo. Depois, também pouco ficou. Não fiz amigos, apenas conhecidos.


Calculo que o percurso não teve nada de espetacularmente bom, ou lembrar-me-ia. Apesar disso, estou aqui. Sem traumas de maior, pelo menos ligados a essa altura.


 


Por isso, apesar de me ter custado horrores e de sentir que também a ela está a doer, muito, quero acreditar que a Gr, se não está bem agora na escola onde a arrancaram dos meus braços, há-de ficar e que o que não nos mata só nos fortalece.


 


 

domingo, 8 de janeiro de 2012

atualizações parte 626374854

A trabalhar de tarde, lá teve a Gr. de ir para a escola. Começámos na quarta de manhã um bocadinho, na quinta também e na sexta, dia em que fui dar aulas, ficou a tarde toda.


Não sou mãe galinha e, como ela tinha ficado bem nos dias anteriores porque já conhece a casa de lá irmos buscar a irmã, deixei-a e fui à minha vida mais preocupada com o que ia encontrar no meu 1º dia de trabalho.


No entanto, saber que ficou a chorar "a minha mãe, a minha mãe", que fez greve de fome ao lanche, que quando viu a irmã passar ficou outra vez a chorar "a minha mana, a minha mana" deu cabo de mim. Fiquei com o coração assim a modos que partidinho.


 


Num registo mais alegre, fica a informação de que está no estádio papagaio. Repete tudo o que lhe pedimos. Hoje, à hora do jantar, contou até vinte. O dezasseis, o dezoito sairam na perfeição.


Ao pequeno almoço, fui pondo coisas na mesa e ela ia enumerando: ieite quentinho, pão, quexo... manqueica...


Continua a comer bem, está sempre pronta a roubar o que estamos nós a comer. Por vezes oferecemos-lhe e rejeita. Pousamos as coisas em cima da mesa e Zás, ela catrapisca.


 


A Mr. continua numa fase chata. Parece uma adolescente. Começou há pouco tempo com a história do "se não fizeres o que quero não gosto nunca mais de ti". Quando contraponho que gosto muito dela e vou gostar sempre, faz um ar de cachorro arrependido e abraça-se às minha pernas.


Tão depressa deseperamos como estamos a rir à gargalhada com alguma calinada. Como não escrevo logo esqueço-me. Troca sons e diz coisas como dispo, em vez de bispo ou pusi em vez de pus e não consegue evitar deixar de comunicar sempre que solta ventosidades.  Mesmo em locais públicos!

Mr.

Então a adolescência agora começa aos 4?? Tenho aqui uma gaja que à mínima contrariedade vira costas e vai para o quarto, fecha a porta e desata a chorar! Estou bem tramada.

post sem mto interesse

Tenho quatro livros para ler, prendas que recebi, e não me agarrei a nenhum. Entretanto, sempre que quero vir aqui ao blog mandar umas postas, uma gaja de 50 cms vem atrás de mim pedir o pom pom. O que vale é o novo dueto improvável, do vitorino com os expensive soul.


nota de rodapé: post escrito só com uma mão, que a outra segura a miuda.

Aventuras no reino do desemprego e do trabalho precário

Na sequência do post anterior, fui dar aulas, pela primeira vez, na sexta feira. Como é habitual, os putos não se portaram mal, reservam a verdadeira face para a terceira ou quarta aula.


No entanto, ontem de tarde (sábado) tive uma reunião, sugerida pela empresa que me contratou, com todos os professores de inglês. Julgava eu que era para nos pôr a par de todos os processos, e, como menina bem educada e competente que sou, defini uma série de questões dessa ordem que gostava de ver esclarecidas, para desenvolver o melhor possível o meu trabalho.


 


Cheguei à reunião, que teve lugar num escritório de duas advogadas que também dão AECs (WTF? a coisa está assim tão mal para eles também??!!). Julgava eu que ia encontrar moços e moças novinhas, saídinhas da faculdade, sem encargos mensais, relativamente à vontade para estar meses sem receber (como eu também já fui). Qual não é o meu espanto quando dou de caras com pessoal que já tem idade para ter juizo, as in para ter uma vida mais ou menos estruturada e não depender de merdas destas (porque é o que é, nos moldes em que está estruturada por estas bandas do país e já vão perceber porquê).


 


Servia a reunião para apresentar a empresa, que está a fazer este serviço desde o início de dezembro. Anteriormente era outra empresa que não pagou nada. Tendo em conta este pormenor, a ordem de pontos da reunião alterou-se. Será que a nova empresa ia pagar? Quando?


Sentadinha no meu lugar, deixei-me estar quietinha e fui ouvindo.


 


Esta nova empresa ainda não assinou contrato coma câmara! Esta nova empresa só pode pagar depois de assinar, porque só nessa altura pode efetivamente receber da câmara para pagar aos professores, que estão sem receber um chavo desde o início do ano letivo!


 


Pergunto eu: como é que sem ter assinado nada com a entidade que vai financiar todo o processo, uma empresa se dá ao luxo de contratar professores?


Como é que uma câmara, conhecendo a situação em que os professores se encontram, não se despacha a assinar o maldito contrato com a empresa?


 


Resumindo, definiram que trabalham até dia x, em que deviam receber. Caso não recebam, não vão dar aulas.


São mais de trinta, significa que mais de trinta turmas de putos vão ficar sem professores que tomam conta deles desde as 15.45 às 17.30.  


 


No meio disto tudo, após três meses sem trabalho, estou solidária com os colegas, mas tenho um travo amargo na boca.


 


O que se passa com esta empresa é o comum. A maior parte as câmaras desta zona do país age assim, a maior parte das empresas é fraudulenta e mesmo sabendo disso, as câmaras continuam a celebrar contratos de prestação de serviços, entregam-lhes todas as AECs e lavam as mãos. O que acontecer depois não é responsabilidade delas (das câmaras). Entretanto, há milhares de professores que vivem assim, nesta situação precária.


 


A maioria dos pais desconhece esta situação e muito professores dos quadros, os que estão com eles desde as 9 às 3 da tarde, estão-se marimbando.


 


 


 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

hhmmm, isto não me está a cheirar bem

Vou trabalhar para uma empresa responsável pela contratação de professores de atividades de enriquecimento escolar que não paga aos professores.... hhmmmmmmm.....

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Este país não é para honestos II

Vou ficar com um horário de 7 horas, a dez euros à hora, dá 280 euros por mês.


Imaginemos que eu fazia as coisas como manda a honestidade: reabria atividade (recibos verdes), a Seg. Social colocava-me no escalão em que me encontrava anteriormente (180 euros de descontos) e as finanças idem aspas (descontar 23% de IVA).


 


Não me sobrava nada e ainda tinha de pagar do meu bolso o gasóleo, a creche da Gr. Era pagar, muito, para trabalhar.


 


Assim, vou dar a volta ao esquema e consigo trazer para casa cerca de 50 euros! UH UH!


 


Se preferia fazer a coisa certa? sim, mas não dá. Neste país da treta não dá. Este país não é para honestos, é para os gajos do Pingo doce e outros que tal.


 


 


 

Este país não é para honestos

Tenho andado ocupada a lavar roupa suja (literalmente, não há aqui segundos sentidos) e a ver se consigo trabalhar sem ter te pagar por isso!


Logo, quando tiver um bocadinho de tempo, explico.


 

fazer a revolução (outra vez)

 Sonhei que fugíamos, não sei quem éramos. Mas fugíamos de um golpe, de algo que tinha mudado radicalmente a nossa forma de viver. Chegámos ...