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sábado, 21 de janeiro de 2023

não me fechem a escola

estamos quase todos tão focados em trabalhar para pagar as contas e ter o mínimo de qualidade de vida (sabes deus como em alguns casos) que resignamo-nos ou damos por nós a ver a escola como um local para deixar as nossas crianças


preciso de trabalhar, preciso de deixar os filhos num lugar seguro, não me fechem a escola, tenho de ir trabalhar, estou a perder trabalhos, não vou conseguir pagar as contas, os créditos


chegámos a este ponto, fizeram-nos chegar a este ponto


a escola não devia ser um sítio para depositar as crianças 


os professores não deviam ser vistos como os babysitters do século


greve de zelo? escrevia alguém... quero lá saber se ensinam o meu filho, preciso que ele esteja entregue até acabar o meu trabalho e poder ir buscá-lo


não me fechem a escola dizemos nós como pais 


não somos babysitters, dizemos nós professores


merecemos salário justo para o trabalho que temos, merecemos conseguir pagar as contas


merecemos qualidade de vida

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

relambório sobre conduzir

Quando estava a tirar a carta de condução, tinha a impressão de que a única coisa que fazia bem feita era dar os piscas.


Se, após ter a carta na mão, me perguntassem preferes fazer outra licenciatura ou tirar outra vez a carta? a minha resposta era, sem hesitar, tiro já outro curso, mas não me façam passar pelo pesadelo de tirar novamente a carta.


Ainda hoje, acho que dou piscas muito bem. Não sou má condutora, quer a controlar a máquina que é o carro, quer a circular na estrada em ameno convívio com os outros condutores. Chateia-me quando não dão os pisca, mas não faço perseguições loucas a condutores que me afrontem.


Páro nas passadeiras (de alguma coisa me serviu ter atropelado uma pessoa)


 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

notas sobre o trabalho (III)

fichas de avaliação marcadas nos mesmos dias para todos os anos em simultâneo (exceto as de inglês, que ficam para a última semana do mês).


pergunta a colega marada "não devíamos usar também a hora de inglês para eles terem tempo de fazer tudo?" 


não, colega, não. 

notas sobre o trabalho (II)

Estaciono a cerca de 100 metros da escola.


Os putos no recreio avistam-me e começam a gritar "ticher" "ticher"...


Sinto-me uma rock star! 


Se não fosse isto, já tinha ido embora. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

regresso

Volto muitas vezes àquele dia em que vi as mensagens. Volta a dor imensa e a revolta, a incompreensão, acima de tudo a dor e a dúvida. Voltam as questões e o pôr em causa tudo. 


Questiono-me se é isto que quero, se deveria ter perdoado, ainda que não consiga esquecer, se vou conseguir dar a volta.


Há dias em que acho que sou uma burra iludida, que ando a ser enganada há anos e anos, que carrego um par de cornos gigantesco na testa e que toda a gente sabe menos eu.


Dias em que gostava de saber a verdade e ao mesmo tempo agradeço não saber, se for essa a verdade. 


 

notas sobre o trabalho

Comecei a manhã em frente ao portão da escola sede do agrupamento.


Como prof. de inglês no 1º ciclo, a minha ausência não faz mossa exceto na minha carteira, porque as aulas são dadas em coadjuvação. Se só eu fizer greve, a colega assegura essa hora. Por esta razão, ainda não tinha aderido aos movimentos de greve aos primeiros tempos do dia. 


Hoje abri uma exceção. Avisei a colega com quem ia dar aulas, para ver se ela se decidia a aparecer também e lá fui eu juntar-me ao cordão humano, que em frente à escola pedia "respeito", entre outras coisas.


Confesso que senti um quentinho no peito. 


Depois, lá fui eu à minha vida, para a escolinha na periferia. 


Entretanto, há-de vir um conveniente "parecer jurídico" a declarar este tipo de greve ilegal e quero ver que formas de protesto poderão ser usadas. Espero que as pessoas se mantenham firmes e unidas, independentemente de sindicatos e agendas políticas de bastidores.


Uma coisa é certa: resiliência não falta aos professores. 


Ah! apareci na "tubizão"! 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

para memória futura (natal, 2022 e regresso ao trabalho mais alguns apontamentos)

Para registo:


o calendário deste ano, não tendo sido um flop completo, também não foi um sucesso estrondoso, mas é para manter. 


As festas foram passadas no norte: natal com a sogra, noite de 31 de dez. para 1 de jan. com os meus pais. 


Houve alguma vida social, condicionada pela chuva, que fez questão de estar sempre presente, passei muit tempo com os meus pais e não peguei em trabalho.


Recebi os livros que pedi (mais um da Leila Slimani, um da Zadie Smith e o primeiro da Sally Rooney).


Estou a acabar de ler O pintassilgo da Donna Tartt e não posso levá-lo para a cama (salvo seja) porque me dá pesadelos (passo a noite a sonhar com gansters e mafiosos a snifarem linhas de coca enquanto elaboram planos para me matarem porque tenho algo que lhes interessa, mas nunca sei o que é).


As miúdas andam sempre ranhosas e com dores nalguma parte do corpo.


Não fiz, como sempre, declarações de fim de ano nem balanços (isto fica registado apenas para memória futura).


O regresso ao trabalho faz-se com greves e manifestações, embora no agrupamento onde leciono ande tudo a dormir. 


 


 


 

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

saí para a noite

No sábado passado saí para dançar.


Vou repetir: saí para dançar.


Depois do jantar de anos do paterfamilias (oitenta anos já lá cantam), meti-me no carro e fui ter com as meninas. Disseram-me que não podia dizer isto, as meninas, que tem conotação de trabalhadora do sexo, mas para mim são as meninas, as amigas de sempre, do coração e do fígado, desde os tempos da faculdade (porque tenho outras, no mesmo patamar, de outros contextos). 


Fui ter com elas a Matosinhos, de onde seguimos todas num só carro para a baixa do Porto.


Eram cerca das onze da noite e não havia muitos sítios para estacionar. Foi uma aventura! 


Depois de devidamente estacionadas, começámos a noite num bar (não me lembro do nome). Nesta altura, a chuva tinha dado tréguas e sentámo-nos tranquilamente a conversar. 


Por volta da meia-noite e meia toda eu era sono e cansaço, mas diabos me levavam se deixava que os dois (cansaço e sono) me impedissem de continuar (mentira, se tivesse ido no meu carro acho que me tinha posto na alheta!).


Quando achámos que já não era embaraçoso ir para a discoteca, rumámos ao Tendinha . 


Que deixar aqui para memória futura desta parte da noite? o quão estranha me senti, ali, como se estivesse fora de contexto. A faixa etária não era muito diferente da nossa (quarentas... cruzes! ver isto escrito dá um nó no cérebro); a música era do meu gosto (à laia de Antena 3, a minha rádio), mas.... não sei explicar...


sei que tive de fazer um esforço para descomprimir e relaxar, para me soltar e dançar, sem pensar muito em nada.


Quando me permiti relaxar diverti-me, mas não foi um processo fácil. Será que é de não fazer parte dos meus hábitos sair? será que é por estar mais velha? 


Às três e tal dei por mim a dançar  E a bocejar de sono, ao som de Ornatos Violeta.


Feita cortes, acho que fui eu que dei o mote para irmos embora. Afinal, ainda tínhamos de voltar a Matosinhos e só depois é que seguia cada uma o seu rumo.


A S. já fazia anos e eu falhei a tradição de não lhe telefonar a desejar os parabéns. 


Ficou mais ou menos prometida outra saída no próximo aniversário (o meu). Não sei é se aqui a cota de serviço vai ser capaz. 


 


 


 


 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

para memória futura - são Martinho 2022

Cheguei lá, com a barriga meia cheia, meia vazia. Eram quase onze da manhã, tinha engolido meio pão com manteiga e um café no "calhau". Tinha comentado com a colega que não sabia se ia ter castanhas porque me cheirava que iam fazer o magusto de tarde.


Cheguei lá, dizia, e cheirava a castanha assada. Ainda bem que no calhau me deixei ficar pela meia carcaça, porque me empaturrei de castanha assada na brasa, seguidas de morcela de arroz e broa. Isto tudo entre as onze e o meio-dia. Aula dada por esta teacher não houve, que os deixei apreciar as castanhas e o sol maravilhoso que nos batia na cara em jeito de palmadinhas serenas. No fim, não queriam deixar-me vir embora. Ralho, ralho e posso, às vezes, ser um bocado besta, mas depois os putos até gostam de mim.

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...