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quinta-feira, 10 de abril de 2025

seis anos

A fazer seis anos que o tio morreu

parece que foi há uma eternidade e há tão pouco tempo

parece que a pandemia alterou o conceito de tempo

às vezes, ainda me custa a acreditar

 

segunda-feira, 24 de março de 2025

"isto"

Aqui dentro de mim, vive-se outra vez em modo permanente de corrida, sem tempo para nada nem para pensar. Quando o faço, parar para pensar, sinto que "isto" não devia ser assim, viver não devia ser isto, esta corrida constante contra o tempo. Talvez, em parte, o culpado seja o tempo que há vários meses tiro para mim, para os treinos diários.

Páro pouco tempo a pensar porque há sempre roupa para estender ou apanhar, camas para fazer, refeições para preparar, naquele momento, ou lá se vai a hora que tiro para mim. 

Da terapia de substituição hormonal tenho muito pouco para contar. Há três meses que tomo todos os dias um comprimidinho e não vejo diferença nenhuma na qualidade do meu sono, na gestão do stress, e nas outras coisas que me levaram à consulta de perimenopausa.

Sou uma pessoa resiliente e disciplinada, com orgulho, sempre o fui, mas depois parece que esta resiliência e esta disciplina não me servem para nada, dado que ando permanentemente insatisfeita. 

 

 

terça-feira, 11 de março de 2025

maioridade

o meu casamento já pode votar, ser preso, beber...


o meu casamento atingiu a maioridade


foi ontem e foi há tanto tempo


 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

trampa

Apareceu-me no feed, era um vídeo antigo, pela roupa e pelo quadro de ardósia lá por trás, diria que era da década de 80, inícios de 90. A senhora tinha sotaque português de quem está há uns anos no Brasil.


Dizia que os Estados Unidos não têm cidadãos, pois que só têm para se identificar um cartões de crédito e a carta de condução. São apenas consumidores, detêm dois cartões que provam a sua capacidade de aquisição. 


Achei isto genial e tão atual! Não guardei o vídeo e agora não tenho como voltar a vê-lo para descobrir quem era a senhora, pelos comentários percebi que era uma professora de ensino superior que teria saído da Anadia e ido para o Brasil.


Assim, percebemos porque é que voltaram a votar na trampa. Reduzidos a meros consumidores, completamente polarizados...


E nós caminhamos para lá, para o mesmo estado. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

entre turquia e portugal

a tentar acabar o museu da inocência do Orhan Pamuk, a obsessão do protagonista pela amada já está aqui a roer-me


parei e li quase de uma assentada chão dos pardais da Dulce Maria Cardoso. a alice é aquela personagem que encarna na perfeição o "waste of space", torces pela filha lésbica que se apaixona pela criada de leste e pelo filho que busca o amor do outro lado do atlântico e terminas sem saber como ficam, confirmas que o júlio fez aquilo que suspeitavas e acabas com pena da sofia. 


retomo o museu mas digo para mim que talvez não o termine. já chega de jantares em casa da amada que entretanto casou com outro, já chega de surrupiar pequenos objetos para montar o museu, parta para outra, senhor...

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

o museu da inocência

A meio de um Orhan Pamuk que, ao contrários dos outros, me está a aborrecer.


O Museu da inocência narra a história do amor obsessivo de Kemal  por Fusun. Para a ter por perto e aliviar a dor da sua ausência (porque ele, devido às convenções sociais não foi capaz de romper o noivado com outra mulher da sua classe social), reúne todo um conjunto de objetos e artefactos - o lápis com que ela estudava, a garrafa inacabada de refrigerante, os bilhetes das centenas de sessões de cinema, postais das ruas que ela percorria, enfim... 


Estou cansada de ler, queria que o homem desistisse ou partisse para outra. 

domingo, 12 de janeiro de 2025

sei porque canta o pássaro na gaiola

Na altura em que George Floyd foi assassinado por um polícia nos EUA, levantaram-se as vozes negras gritando black lives matter e eu, do alto da minha ignorância e do meu privilégio, pensava com os meus botões que sim senhora, black lives matter, all lives matter. Entretanto, fui lendo aqui e ali que fazia sentido manter o grito associado às vidas de negros, especialmente nos EUA e queria perceber porquê.


Na minha cabeça, não era sinal de qualquer tipo de racismo enfatizar que todas as vidas importam, mas havia vozes que diziam que sim, que era preciso perceber a história dos negros e ver a coisa pelo ponto de vista dos negros. Nos meus feeds apareciam referências a autores como Maya Angelou, James Baldwin ou Viola Davis, entre outros. 


Acabei agora o livro da Angelou Sei porque canta o pássaro na gaiola, e posso afirmar que assim começou a minha educação.


A escrita é escorreita e ao mesmo tempo poética. Houve momentos de gargalhadas, que tive de abafar por estar a ler em público e outros em que percebi um pouco da razão por trás da necessidade de enfatizar que a vida dos negros interessa, porque é que os negros do sul são tão religiosos, o porquê do bling bling dos rappers e daquela forma de vestir para mim espampanante e o porquê de uma série de coisas que me faziam confusão na cultura negra dos EUA. 


Queria muito ler os restantes volumes que narram a vida da autora, Baldwin e Alice Walker e outros. 


 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Como se começa?

Olhe, não sei, é tanta merda, desculpe, tanta coisa, que não sei por onde começar e tenho vergonha de dizer merdas, desculpe, coisas que podem vir a estragar o que está bom, tenho receio de mexer em cocó, desculpe, em coisas que se calhar na minha cabeça estão bem e sair daqui a achar que essas também estão mal, percebe? Faz sentido? Por onde quer que comece?Ou eu não começo nada? e depois se a senhora começa mal e eu não souber continuar ou se eu não souber começar pela coisa certa e ouvir, como já ouvi, que não precisava de terapia porque na minha cabeça resolvia as questões de forma muito lúcida? e depois não tenho coragem de dizer olhe que não, olhe que não, como o Mário Soares naquele debate com o Álvaro Cunhal? 

sábado, 4 de janeiro de 2025

relatos da TSH

fui a uma ginecologista diferente


a pilula anticoncecional (que nunca cheguei a tomar) passada pela ginecologista anterior poderia ter as suas vantagens, mas não iria fazer nada aos outros sintomas de perimenopausa.


Vou iniciar terapia de substituição hormonal. Procuro não criar grandes expetativas nem me deixar impedir de a tomar,  com a bula dos comprimidos aberta aqui à minha frente, parece um lençol.


 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

natal, 2024

para mim, o natal eram os dias de dezembro até  22 ou 23 no máximo, os dias do calendário, só nós os quatro, na nossa bolha, sem o stress, a pressão e as dores que vir aqui me trazem


as férias cá em cima, todas elas cá


natal com uns, passagem de ano com todos


inicio 2025 com vontade de ficar na cama durante as 24 horas que os dia têm, mas faço um esforço por me levantar e fazer a minha vida


 


 

um quarto

 1/4 hoje 1/4 depois e depois assim entra o antidepressivo no meu sangue o comprimido é tão pequeno que o ato de o reduzir a quartos é no mí...